Está em discussão no Congresso a redução da atual escala de trabalho de 6X1 e carga semanal de 44 horas semanais, para 5X2, com redução para 40 horas semanais.
Ha outras opções, mas estas são inviáveis, portanto nem penso que possam ser discutidas e aprovadas.
Toda discussão, que envolve direitos ao trabalhador, descontados estes, que, por obvio, são favoráveis, tem aqueles que tem uma visão mais progressista, que apoiam, como eu, e aqueles, que se dizem conservadores, que são contra, muitos nem sabem bem porque.
Uma coisa é certa.
Ou não são empregados ou já se encontram na situação em discussão e não veem vantagem pessoal.
O fato é que não se trata de uma discussão ideológica da esquerda contra a direita.
Afinal, o trabalhador bem remunerado e com boas condições de trabalho auxilia o sistema capitalista ao fortalecer o consumo e impulsionar a economia de mercado, funcionando como um motor para a produção e a geração de empregos.
Os contra sempre acabam justificando seu posicionamento alegando que haverá prejuizo ao empregador, que, inexoravelmente, repassará o custo ao consumidor final, aumentando o preço de seus produtos e gerado inflação.
Assim como, argumentam que haverá desemprego ou aumento dos trabalhadores informais.
É fato que, sob qualquer que seja a visão, havendo a redução do tempo trabalhado, mantendo-se o salario atual, resultara em aumento no custo do empresario.
Estudos da Confederação Nacional do Comercio aponta que a redução para 40 horas semanais de trabalho afetaria a força de trabalho, obrigando a contratação de 980 mil novos funcionários, com impacto no custo operacional, que, inevitavelmente, será repassado ao consumidor.
No passado, sempre que houve melhora nas condições ao trabalhador, houve discussões.
Acho razoável se pensar na melhoria das condições de trabalho, sempre
Isso aconteceu ao longo da historia da humanidade.
Graças à evolução na redução de jornada de trabalho, os trabalhadores deixaram
de ser verdadeiros escravos.
No Brasil, houve um grande passo, quando foi criada a CLT.
Foram instituídos diversos benefícios ao trabalhador e os empresários tiveram que se sujeitar.
Não houve apocalipse por isso.
É fato que, desde aquela época, muita gente, que trabalhava sem registro, que não existia ate então, ao longo do tempo, passaram a ser registrados e terem os direitos trabalhistas assegurados.
A questão trabalhista brasileira deveria ser discutida com maior amplitude e não ficar apenas na queda de braço da redução ou não da escala de trabalho.
O ponto principal da discussão deveria ser a baixa produtividade nacional.
Este sim é um problema de maior dimensão do que a redução da jornada de trabalho.
Mas, os apoiadores de mais horas trabalhadas acreditam que isso basta para melhorar a produtividade.
Acreditam que quanto mais horas trabalhadas, ha mais produção.
A empresa focada no trabalho horista ou é cega ou se faz de cega.
Não percebem que ha muitas horas desperdiçadas com idas desessenciarias ao banheiro ou ao cafezinho, onde se reúnem para conversar tudo menos sobre o trabalho, e aqueles que ficam horas com os celulares ativos, para acompanhar o que se passa na mídias sociais.
Estudos empíricos determinaram que 50% da diferença de produtividade no Brasil se deve às habilidades do trabalhador e que os outros 50% resultam do entorno.
E esse entorno abrange regras tributarias e trabalhistas que subsidiam empresas ineficientes, em geral pequenas empresas.
O prof. NIcholas Bloom, de Harvard, em suas analises concluiu que, a gestão da empresas nos países de menor produtividade é pior.
Isso acontece porque alguns donos de negócios não conhecem profundamente o seu negocio e tem uma visão oportunística dele.
Querem ganhar muito dinheiro e rápido.
Assim, dificilmente, se encontrará um pequeno empresario se preocupando em investir em produtividade.
Para eles isso é custo.
E custo significa menos lucro.
Em geral, esses empresários contratam funcionários, enxergando-os como se fossem trabalhadores capacitados.
Esses trabalhadores, depois de contratados, são jogados para atender o publico sem o menor treinamento.
Acaba atendendo mal porque não sabem o que fazer!
Esses empreendedores acreditam que para tudo da-se um jeito.
O resultado é que nos deparamos com o incrível numero de cerca de 60% das empresas fecharem antes de completar 5 anos de atividade.
Quanto ao fato do trabalhador começar mal, não significa que não possa melhorar.
Alguns, com o tempo, acabam aprendendo, na marra, e melhoram um pouco sua atuação.
Entretanto, criam vícios operacionais, que não contribuem com a melhora da produtividade.
Isso acontece pela falta de avaliação no desempenho, nem a consequente capacitação continua.
Entretanto, criam vícios operacionais, que não contribuem com a melhora da produtividade.
Isso acontece pela falta de avaliação no desempenho, nem a consequente capacitação continua.
Quando ha empresas que valorizam a produtividade, o trabalhador é obrigado a evitar a perda de tempo e alcança sua meta.
Grandes e médias empresas do varejo decidiram, por conta própria, testar a escala 5X2 e constataram vantagens como maior atratividade na contratação de novos funcionários, que sofre de um déficit de mão de obra, e na redução da rotatividade, que gera custos para adaptação de novos funcionários.
Constataram, também, que um dia a menos de trabalho resulta na redução do custo de vales alimentação e transporte.
Constataram, também, que um dia a menos de trabalho resulta na redução do custo de vales alimentação e transporte.
Financeiramente não alivia muito, é verdade. mas perceberam que essa valorização ao trabalhador melhora o ambiente de trabalho, pois houve ate redução de faltas.
Ha ainda a questão da informalidade, que passa longe da discussão da jornada de trabalho.
Apesar de, em 2026, representarem 37,5% da população ocupada.
Para estes, não mudara nada.
Como já aceitam trabalhar sem o amparo da CLT, a Lei da nova jornada também será desconsiderada pelo empregador.
Então por que ha informalidade?
Observo que a informalidade, nas classes mais baixas, ocorre em razão de que o informal ganha mais, no bolso, do que o empregado.
Interessante que o trabalhador não computa os direitos trabalhistas do FGTS e do adicional de 1/3 nas férias, como rendimento do trabalho.
Por isso tem a impressão que ganham mais na informalidade.
Por isso tem a impressão que ganham mais na informalidade.
Ainda que, entre eles, tem aqueles, que se submetem a informalidade e, após sua demissão, recorrem à Justiça do Trabalho para tentar levar alguma vantagem a mais.
Isso sem contar a pejotização, daqueles melhores remunerados, que são regidos pela contratação negociada entre o empregador e o trabalhador e nem olham para o que diz a Lei.
Finalmente, a discussão sobre a Lei, em tramitação, sobre a jornada de trabalho e dias de descanso, deverá ser aprovada e serão encontradas adequações, levando em consideração a especificidade para cada atividade empresarial, por função,
para o cumprimento dela por todas as empresas.
Será mais um passo importante a favor do trabalhador.
Sua analise é muito interessante e válida. Os temas trabalhistas estão atualmente em mãos de policiais do trabalho e do estado ( justiça do trabalho ),; uns para impressionar com falsos discursos protecionistas dos trabalhadores e outros , como a justiça do trabalho, que consome bilhões e entrega migalhas. Uma justiça trabalhista do “ faz de conta “. Parece que a jurnada de trabalho francesa de 35 horas é a ultima grande conquista dos enganadores dos empregados. A maior angústia dos que trabalham na indústria privada é NÃO PERDER O TRABALHO, com que sustentam suas próprias famílias. A maior ansiedade dos que estão no serviço publico, inclusive juízes, é devolver ao povo serviços do estado e justiça. No modelo desenvolvido por Frederic BASTIAT no século XIX, o estado brasileiro tem apenas a “mão dura” que toma do povo e a “mão macia” está seca pela impiedade com que os funcionários públicos e juízes tratam os trabalhadores, não fomentando criação de EMPREGOS E TRABALHOS. Ass. José Alves Silva - engenheiro civil.
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