As democracias presidencialistas elegem chefes do poder Executivo para exercerem seu mandato em harmonia com os poderes Legislativo e Judiciário.
Quando esse equilíbrio é rompido, em geral, se dá quando o chefe do poder Executivo, de uma nação, dá um golpe de estado, colocando o poder militar nas ruas.
Através do uso da força militar, que detém, subjuga os poderes Legislativos e Judiciário.
Era assim no passado.
Nos últimos tempos, utilizam de um processo gradual, respeitando os meios legais, a começar pela sua eleição.
O primeiro ingrediente para o candidato a ditador é ter carisma.
Depois, deve, em sua campanha eleitoral, fazer promessas de acabar com a corrupção e recuperar a economia para que o povo melhore sua renda.
Com isso, conquista a simpatia e apoio do povo e se elege legalmente.
Após se eleger, o ditador faz as transformações da democracia para o regime autoritário, sem que aja uma reação do povo.
Quando o povo perceber, a ditadura já está implantada.
Na Venezuela, Hugo Chávez, após ser empossado, convocou uma Assembleia Constituinte, que reescreveu a Constituição, acabando com o Senado e concentrando mais poderes ao Executivo.
Anos depois aumentou o numero de de juízes do Supremo Tribunal, preenchendo as novas vagas com aliados políticos, para garantir que validassem suas violações constitucionais.
Ao mesmo tempo, removeu os chefes militares legalistas e nomeou militares de sua confiança em seus lugares, para garantir a lealdade das forças armadas a seu comando.
Ai começou a perseguição politica aos opositores, com restrições à liberdade de expressão, fechamento de emissoras jornalisticas opositoras e usando do aparato estatal para controlar a narrativa publica conveniente a ele.
Apesar de Lula não ter seguido essa cartilha, durante seus 8 anos de mandato e outros tantos de Dilma, muita gente tenta compara-lo a Chávez, afirmando que Lula quer implantar o comunismo no Brasil.
Tempo teve.
Se não o fez, é porque esse nunca foi seu objetivo, apesar de apoiar aquele ditador venezuelano, assim como o cubano.
Ainda que, durante o Mensalão, Lula tenha controlado o poder Legislativo, para aprovar temas de seu interesse.
Mas nunca propôs nada semelhante a ter mais poderes sobre os demais poderes da republica.
Interessante que a liderança politica brasileira, que usou e abusou dessa narrativa contra Lula, elegeu-se presidente, com o mesmo argumento de Chávez.
Mas, após eleito, não teve a mesma ousadia dele para tomar o poder de forma autoritária.
Faltou-lhe capacidade para planejar e executar o processo gradual semelhante ao chavista.
Na realidade, atropelou o processo, nomeando primeiro militares de sua confiança para posto no governo, sem contudo ter mais efetividade na troca de comandos, como fez Chávez.
Ainda, durante seu mandato, fez ameças ao Supremo, sem, contudo, ter tentado aumentar o numero de juízes, para poder nomear aliados políticos e dominar a Corte.
Talvez tenha acreditado que, o que fez, seria suficiente.
Assim, continuou tramando um golpe de estado, no modelo tradicional, que acabou não tendo sucesso e, hoje, esta preso.
O fato é que nossa democracia está ameaçada não por golpistas no Executivo.
Assim, como temos a jabuticaba, somos o único pais em que o poder Judiciário quer impor uma ditadura da toga.
Não que estejam usurpando das funções dos demais poderes de republica, apesar de que, por muitas vezes, agiram, como Legislativo, estabelecendo entendimentos, que foram seguidos pelos tribunais inferiores e órgãos públicos, como se fossem Leis.
Por outro lado, usa do poder Executivo a Policia Federal, para cumprimento de suas decisões e intimidações, como está acontecendo, tanto aos cidadãos comuns, alguns só pelo fato de criticarem membros do Supremo, mas, também, determinando ações de perda de liberdade parcial de funcionários da Receita Federal, por suspeitar que tenham tido acesso a seus prontuários fiscais, sem que a investigação tenha sido concluída.
O Supremo precisa ser contido, enquanto é tempo, para se manter o Brasil democrático.
Não que que o Supremo conseguira impor uma ditadura, pois falta-lhe o comando militar, indispensável para o exito de uma ditadura.
O problema está no surgimento de um candidato a presidente, que faça promessas de combate aos excessos do Supremo, consiga ser eleito e, após empossado, ele próprio acabe, agindo como Chávez, tornando-se um ditador, que tanto repudiamos.