A questão de definição de ideologia politica brasileira é complexa.
A população em si não, em sua maioria, não se interessa por politica.
Para essa massa, o que importa é se sua vida esta boa e se governo ajuda a melhora-la como oferecendo melhores condições de mobilidade, iluminação publica, saúde, educação, segurança publica e, para os mais necessitados, apoio social.
Os candidatos, que atendem minimamente essa condição, são aqueles que são eleitos.
Aliás, os habilitados em apoio social, que correspondem a uma parcela representativa da população nacional, acabaram por se tornar curral eleitoral desses candidatos.
Examinando sob o aspecto eleitoral, em 2022, Lula foi eleito presidente, que é, supostamente, de esquerda.
Digo supostamente, pois em nenhum momento Lula propôs tornar o Brasil numa republica comunista, a exemplo do que fez Chaves na Venezuela e estatizou toda a economia.
Mesmo Lula e seu partido PT sendo defensores da estatização, durante os governos petistas, nunca houve expropriação nos moldes venezuelanos.
Digo supostamente, pois em nenhum momento Lula propôs tornar o Brasil numa republica comunista, a exemplo do que fez Chaves na Venezuela e estatizou toda a economia.
Mesmo Lula e seu partido PT sendo defensores da estatização, durante os governos petistas, nunca houve expropriação nos moldes venezuelanos.
As estatizações brasileiras são empresas constituídas pelo governo.
Apenas como ilustração, muita gente, que tem certeza que a ditadura militar de 64 era de direita, talvez, desconheça que durante o governo militar houve muita estatização.
O que pode surpreender é que no Brasil há previsão legal para expropriações.
Entretanto, estas são realizadas através de desapropriação, com pagamento de indenização, e objetivam o interesse publico, como propriedades para fins de executar obras publicas necessárias, ou para reforma agraria.
Desconheço que uma empresa foi expropriada, sem indenização, para estatiza-la, como aconteceu em Cuba e Venezuela.
No Congresso, o mesmo eleitor que elegeu Lula, não votou expressivamente no PT e seus satélites.
A esquerda brasileira, de maneira geral, é mais liberal nos costumes.
Mas, no atual governo está contida nessa pauta.
Apesar de ter a segunda maior bancada no Congresso, mesmo que tentasse, não conseguiria avançar nesse sentido.
A unica pauta que, talvez, consiga avançar é quanto a mudança na escala de trabalho, 6 X 1, que se conquistada, levará o Brasil para o modelo europeu de trabalho.
Hoje o Congresso é majoritariamente do Centrão.
O Centrão não é um partido, mas um bloco informal, que reúne um cardápio de partidos sem uma ideologia definida.
Tanto o é que esta distribuído entre esses partidos as três maiores bancadas, que são a evangélica, ruralista e armamentista.
Embora o Centrão pareça ser de direita, pelo seus viés conservador nos costumes, não demonstra uma convicção de liberalidade na economia.
Não apresentaram, ao longo dos anos, pautas que levassem o Brasil para liberdades econômicas, como, por exemplo, reformar a CLT, para que tenha haja mais flexilidade e acompanhe as formas de contratação, que se pratica nos países considerados evoluídos.
O máximo que fizerem foi dar autonomia ao Banco Central.
O Centrão não tem uma ideologia definida, mas ha algo em comum entre seus pares.
A intenção de se manter no poder, a qualquer custo, inclusive o de dar apoio parcial ao governo do presidente da republica, seja ele quem for, para, em troca, obter ministérios e cargos no governo e nas estatais.
Ai esta a prova de não serem liberais.
Não querem desestatizar, pois se o fizessem não teriam mais cargos para nomear seus aliados.
Interessante que no Brasil há um grande numero de funcionários públicos na administração publica direta e indireta.
Enquanto o Brasil era um pais de baixa arrecadação, havia funcionários públicos
para atender o estritamente necessário.
Ate porque não eram bem remunerados, como hoje.
A partir do aumento de arrecadação e melhora salarial, ser funcionário publico
tornou-se cobiça de muitos trabalhadores!
Observando que havia muito dinheiro arrecadado, surgiu o patrimonialismo de estado, que é dominado pelos políticos e as elites do funcionalismo publico, que passaram a ter régios salários e privilégios exorbitantes.
Ainda que não fosse tanto quanto é hoje, Collor chegou a alcunha-los de marajás, durante sua campanha eleitoral.
Mas nem em seu governo eles foram combatidos.
Aliás, nenhum governo teve vontade e coragem politica para acabar com os marajás.
O que me fez supor, que grande parte desses marajás votem em Lula, pois tem certeza que este nunca vai ter vontade de acabar com essa pratica de butim aos cofres públicos.
Entretanto, essa roubalheira não fica apenas restrita a funcionários públicos.
Ha muitos empresários, que conquistaram, no passado, e ainda conquistam ate hoje, benefícios fiscais, sem que isso reverta em melhoria na economia nacional.
Buscam, apenas, aumentar seus lucros.
E, de novo, nenhum governo teve vontade e coragem politica para acabar com os esses privilégios.
Ao contrario, dão um jeito de fazer favores para receber vantagens pecuniárias.
A ponto de surgir a ideia de que, no Brasil, na empresa privada quem manda é o governo e nas estatais ninguém manda.
O Congresso abriga, ainda, partidos que podem ser considerados de direita, como o NOVO e o PL.
Embora o PL não tenha uma firme convicção de direita, pois sempre agiu no modo Centrão, no momento, abriga o que restou do bolsonarismo, por interesses fisiológicos de conquistar votos no Congresso e se manter como uma das maiores bancadas.
E passou a ser considerado ultra direita.
Afinal, o que somos?