Muito se fala em defesa da democracia.
Jair Bolsonaro foi julgado, condenado e preso pela acusação de planejar acabar com ela.
Mas, de que democracia estamos falando?
O fato de votar não significa que vivemos numa democracia.
Muitos países pelo mundo, nesse sentido, vivem uma democracia.
Mas, de fato, são dominados por ditaduras, como Coreia do Norte, China, Cuba, Venezuela, para falar dos mais conhecidos.
Ate aqui no Brasil, durante a ditadura militar tínhamos o direito de votar.
Não votávamos para presidente, governador, prefeitos das capitais, de estâncias hidrominerais e de cidades consideradas de "segurança nacional".
Ate aqui no Brasil, durante a ditadura militar tínhamos o direito de votar.
Não votávamos para presidente, governador, prefeitos das capitais, de estâncias hidrominerais e de cidades consideradas de "segurança nacional".
Mas, elegíamos vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais e senadores.
O candidato a presidente era sempre um general, que era eleito, de forma indireta, pelo Congresso, enquanto os candidatos a governadores tinham que ser aprovados pelo regime militar e eram eleitos, também, de forma indireta pelas Assembleias Legislativas, enquanto os prefeitos eram nomeados pelo governador.
O candidato a presidente era sempre um general, que era eleito, de forma indireta, pelo Congresso, enquanto os candidatos a governadores tinham que ser aprovados pelo regime militar e eram eleitos, também, de forma indireta pelas Assembleias Legislativas, enquanto os prefeitos eram nomeados pelo governador.
Com o retorno à eleição direta para todo elenco politico, acreditávamos que vivíamos numa democracia.
Essa percepção, de certa forma, estava correta.
Desconhecíamos o chamado quociente eleitoral, que estabelece que a eleição de um deputado não é apenas pelo numero de votos que obtêm, mas depende dos votos obtidos por seu partido.
Em resumo, o número de votos, por estado, de cada partido, define quantas cadeiras caberão a cada partido na Câmara Federal.
A partir dessa definição, as cadeiras obtidas pelo partido são ocupadas por seus candidatos mais votados.
O objetivo era fazer com que as urnas refletissem o tamanho das correntes políticas que disputam a eleição.
O problema é que os partidos não tem conteúdo programático.
Na verdade, são feudos políticos, cujos caciques tornaram-se, legalmente,
donos das candidaturas politicas.
Além disso, esse sistema causava distorções ao permitir que mesmo candidatos com votação inexpressiva fossem eleitos, beneficiados pelos “puxadores de votos”.
Assim, interessava aos partidos trazer celebridades para ajudar na obtenção de maio numero de votos para o partido.
Dessa forma, apesar de votarmos num candidato, que escolhemos, não era esse o fator que o elegia.
Atualmente, houve alteração para acabar com que os menos votados sejam eleitos.
Passou a valer que só serão eleitos aqueles que tiveram obtido o equivalente a 10% do numero total de votos do partido, no estado.
Mesmo assim, ha dificuldade para renovar os quadros políticos, pois os que estão no poder dificultavam o ingresso de gente nova.
Só deixam entrar quem os interessa, mas estes são impedidos de alçar voos.
Essa situação se agravou quando os mais influentes na politica nacional formaram dinastias.
Trouxeram filhos e agregados familiares para participar da votação de cargos, tanto no legislativo como no executivo.
Estes conseguiam ser eleitos em função da capacidade politica dos titulares.
Formaram-se as grandes famílias, que hoje dominam a politica nacional.
Para assegurar-se da dominação, conseguiram convencer os eleitores que o financiamento privado das campanhas eleitorais ensejava corrupção dos empresários doadores.
Assim acabaram com ela e criaram o fundo publico, que é rateado entre os partidos políticos.
A corrupção, como se vê, continuou e ate aumentou.
O problema desse fundo publico, que é somado a outros fundos direcionados à manutenção dos partidos, abocanha substancial parcela do Orçamento Nacional, restringindo ainda mais os parcos recursos públicos, que poderiam ser utilizados em investimentos públicos.
E mais, tornou-se interesse dos partidos focarem no uso desse fundo na eleição do maior numero de parlamentares no Congresso, pois é a quantidade de integrantes dessas Casas, que define a cota de participação na divisão de todos os fundos públicos para partidos políticos.
O resultado é que o Congresso atual abriga uma expressiva quantidade de pessoas desqualificadas para representar-nos.
E vai continuar assim.
Como na eleição para os congressistas, também, votamos para escolher o presidente e os governadores, e o alvo dos partidos é obter o maior numero de congressistas eleitos, sera investido neles a maior parte dos recursos do fundo eleitoral.
Assim, poderão manter e ate aumentar sua mordida nos fundos partidários.
Por isso, torna-se difícil quebrar a polarização politica na eleição presidencial, pois, sem recursos suficientes, fica prejudicada o crescimento de uma terceira via, para se viabilizar.
É verdade, que, mesmo com poucos recursos, Jair Bolsonaro foi eleito em 2018.
A razão disso foi a força de atuação de seus correligionários nas mídias sociais, que souberam explorar o anti petismo, que existia.
Em 2022, Bolsonaro perdeu porque surgiu um movimento contra ele e, embora, não tão forte quanto atuação midiática de Bolsonaro, foi o suficiente para que Lula se elegesse.
Caiado, que se apresenta como a terceira via, certamente, não terá os recursos necessários de seu partido, para conseguir se eleger.
Kassab, como dono dono de seu feudo partidário, quer eleger o maior numero de congressistas.
Será que Caiado terá profissionais capacitados para atuar nas mídias sociais?