A ditadura militar de 1964 não terminou porque os militares viraram bonzinhos e resolveram abrir mão do poder, que detinham, e resolveram devolve-lo aos civis, de onde nunca deveriam ter tirado.
Nem foi por arrependimento dos crimes cometidos pela torturas e assassinatos cometidos nos porões dos quarteis.
Muitas ditaduras, pelo mundo, são cruéis e conseguem se manter no poder indefinidamente.
É o caso da Coreia do Norte, que chegou ao poder pelo avô do atual ditador, e continua firme como rocha.
O mesmo acontece com Cuba, que foi tomada por Fidel Castro, em 1959, fez sucessores e continua, ainda que titubeando, em razão da pressão dos EUA, mas ainda não se rendeu.
Diferente da Venezuela, cujo ditador Maduro caiu, por interferência direta dos EUA, mas o poder ditatorial continua instalado, sobrevivendo por uma recauchutagem de suas lideranças, que preferiram perder os anéis e não os dedos.
Voltando ao Brasil, a nossa ditadura não era exercida personalisticamente, como acontece em toda ditadura, que consegue se manter no poder por anos.
Havia um revezamento do ditador, que se travestia de "presidente eleito" numa eleição indireta, já ganha antes de ser realizada.
Esse método acabou por colocar no poder Ernesto Geisel, que embora fizesse parte da cúpula militar, tinha idéias de redemocratização.
Ou seja, dentro do próprio poder havia um "desertor" da ditadura.
Geisel arrefeceu o processo de repressão, revogando o AI-5, e iniciando o processo de redemocratização.
Embora em seu governo tenha ocorrido o "suicídio do jornalista Herzog", Geisel reagiu contra a cúpula militar, afastando generais de comandos militares, inclusive seu Ministro do Exercito, Silvio Frota, que era o líder da "linha dura" e se opunha às suas ideias de redemocratização.
Por outro lado, Geisel mantinha a governança, que adotou politicas econômicas
erráticas, que levaram a uma hiperinflação e um endividamento externo impagável.
A queda da ditadura brasileira aconteceu com a eleição do "presidente" João Figueiredo, que não soube lidar com essa grave crise econômica e acabou por entregar sua sucessão a um presidente civil.
Com a instalação da nova republica, consolidada com o retorno da eleição presidencial direta, esta já tropeçou de inicio.
O primeiro presidente eleito cometeu delitos graves e sofreu um processo de impeachment, embora tenha renunciado antes de sua conclusão.
Após a eleição de Lula, começou o processo de desgaste da jovem democracia, com o processo de corrupção, através do Mensalão, onde os congressistas davam apoio ao governo, não por convencimento de ideias, mas por dinheiro.
Na verdade, ainda durante a ditadura militar, que simulava uma democracia, como o Congresso funcionava, para obter apoio desse Congresso, havia barganhas de cargos e verbas publicas, que acabou gerando o"toma lá da cá", que culminou com a famosa frase, de origem católica franciscana, do então deputado Roberto Cardoso Alves, que dizia "é dando que se recebe".
Mas, foi no governo Lula que esse "toma la da cá" perdeu os limites da moral e ética, levando a outro processo de corrupção generalizada, no Petrolão.
Ate então, o Poder Judiciário aparentava um comportamento ético, independente e imparcial, que transmitia à opinião publica confiança de que se vivia um pleno e legitimo Estado Democrático de Direito.
Embora, a boca pequena, se soubesse que havia vendas de sentenças dentro sistema judiciário.
Como tal pratica era discreta, permanecia escondida da opinião publica.
Graças a esse comportamento de aparente honestidade, foi possível haver punições tanto no Mensalão como no Petrolão.
Mas, como esses julgamentos foram executados pelo Supremo Tribunal Federal, que ate então era uma instituição desconhecida de grande parte da população, seus membros ganharam notoriedade e seus egos foram inflados.
Apesar da Constituição ser de 1988, o Supremo se continha em suas funções de guardião dela.
Entretanto, com os egos inflados, os ministros do Supremo decidiram ir além dessa fronteira, atribuindo para si o papel de Poder Moderador.
Assim passaram a usurpar atribuições do Poder Legislativo, que de seu lado, mostravam-se indiferentes e omissos às suas atribuições constitucionais e exclusivas de fazer Leis, e o Supremo passou a fazer Leis, indiretamente, através de interpretações que não lhes competia fazer.
Uma vez com os egos elevados à altura, se libertaram das amarras ética e morais, agindo, como no caso de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, como cidadãos acima de qualquer suspeita, permitindo-se fazer o que bem entendessem para proveito próprio.
Entretanto, graças à imprensa, ainda, livre, a opinião publica tomou conhecimento desses escândalos, em especial do caso do banco Master.
Daniel Vorcaro, em sua curta carreira de golpista, conseguiu amealhar com suas festas, eventos e corrupção disfarçada de "consultoria", toda a cúpula politica e judiciaria do Brasil, formando um enorme "rabo preso" que une todos eles.
Quem vai julgar quem?
O "telhado de vidro" que todos tem, motiva-os à auto defesa, impossibilitando que um aponte o dedo para o outro.
Uma possível depuração interna, com o afastamento de "bois de piranha" para conter os estragos cometidos, não parece que vá acontecer.
Não faz parte da cultura brasileira, diferente de outros países, em que quando uma autoridade é suspeita de crimes, renuncia ao mandato.
O resultado é que, infelizmente, esse descredito geral das instituições publicas, entre a população, tonará a nova republica numa republiqueta de zumbis.
O pior está por vir.
Como a população está terrivelmente indignada com os abusos cometidos pelos integrantes das instituições, isso tornou-se o cenário propicio, como aconteceu, por exemplo, na Alemanha, para o surgimento de lideres fascistas, que prometem o Éden para a população frustrada.
O futuro do Brasil é preocupante.