Um amigo, empresario varejista no nordeste, apos ler meu artigo sobre "Os desempregados ocultos - reféns de Lula", me procurou para dizer que meus argumentos estão certos, sob um ponto de vista, e errado, noutro.
Como assim?
Ele disse que a estatística do governo está certa, quanto a um baixo nível de desemprego.
Ele, como outros empresários amigos dele, da região, alguns de outras atividades, sentem dificuldades em contratar mão de obra para suas empresas.
Contatei amigos meus, empresários paulistas da área de construção civil, que confirmaram a mesma dificuldade em encontrar pessoal para trabalhar em suas obras.
Meu amigo nordestino disse que, quando encontra candidatos, a maioria não quer ser registrada pela CLT, com medo de perder os benefícios sociais do governo.
Outros porque estão recebendo auxilio desemprego e não querem perder esse beneficio, se forem registrados.
Complementou dizendo que, no final do ano, por conta do aumento sazonal de vendas e pela escassez de gente disposta a trabalhar registrado, acabou contratando funcionários temporários sem o devido registro formal.
E ai, disse ele, é que estou certo, quando em meu texto disse: "Outra parte desses assistidos tem outra fonte de renda, os chamados "bicos".
Baseou-se no fato de que, enquanto pensava como agiria, passado o período temporário, se manteria sem registro ou demitiria os temporários, o dilema foi resolvido sozinho.
Os contratados temporários faltavam demais, sem justificativas, ou desistiam do emprego no meio do contrato.
O que confirmou a percepção dele de que o assistencialismo social estava prejudicando a contratação de empregados, pois desestimula o pessoal a trabalhar registrado e por mais tempo, gerando uma rotatividade muito grande.
Indaguei a ele como explicar tal fato.
Ele me contou que conversando com esses trabalhadores, perguntou-lhes qual era a razão para justificar a desistência do emprego.
Disseram-lhe, com suas palavras, o que ele sintetizou da seguinte forma.
Aceitavam trabalhar nesse período apenas para aumentar a renda, mas que não queriam continuar no emprego, pois não compensava.
Diziam que ganhavam pouco, tinham que trabalhar aos domingos e não tinham a flexilidade que tem, quando fazem "bicos" ou mesmo quando trabalham como entregadores ou motoristas de aplicativos.
Pesquisando o assunto, encontrei estudos que dizem que, hoje, as pessoas não tem a mesma percepção, que havia no passado, de ter lealdade e dedicação à empresa, em troca da garantia de um emprego formal por longo tempo.
Em especial, os mais jovens que estão desapegados dos empregos formais, pois se sentem desvalorizados com os baixos salários, que é um fato real.
Alguns se contentam com o assistencialismo social e o trabalho eventual.
Comparativamente com 50 anos atrás, os salários da classe media estão baixos.
Quando me formei o salario de engenheiro civil era suficiente para ter uma vida confortável.
Hoje, o sujeito se forma engenheiro civil e ganha pouco.
Se trabalhar, por exemplo, com Uber, pode ate ganhar mais!
Se para um profissional qualificado a situação salarial é ruim, imagina para um trabalhador menos qualificado.
Muitos preferem nem trabalhar, se for para ganhar pouco.
Além de preferirem trabalhar de forma autônoma, para poderem sentir-se livres das amarras do trabalho formal, que os obriga a cumprir uma jornada de muita dedicação exclusiva ao emprego, e ate ganhar mais.
A conclusão que chego é que é preciso repensar a CLT, trocando todos aqueles direitos trabalhistas, que muitos não entendem que compões o salario, mas que custam caro ao empregador, por salários mais altos e com uma jornada de trabalho mais flexível e com menos dedicação de tempo.
Ou teremos cada vez mais taxas de desemprego formais baixas e dificuldades em contratar mão de obra nas empresas.