Essa convulsão, que assistimos, neste momento, no Supremo, apesar de estar contida, ate a revelação do áudio entre o golpista Vorcaro e o ministro Alexandre de Moares, estava fermentando ha tempos, aguardando, apenas, o momento certo.
E ele veio com o áudio.
Na verdade, já deveria ter acontecido antes, quando da revelação do envolvimento de outro ministro, Dias Toffoli, com Vorcaro, no episodio do Resort Tayayá, que foi abafado em reunião secreta entre os membros do Supremo.
O presidente do STF, Edson Fachin, agiu dentro dos preceitos corporativistas, com medidas de blindagem à Toffoli, extinguindo formalmente o pedido de suspeição encaminhado pela Policia Federal
contra ele e mantendo sigilo da decisão.
A contenção do inquérito contra Toffoli ajudou Moraes a se safar, momentaneamente, quando foi revelado pela jornalista Malu Gaspar, da Globo, um contrato entre o escritório de Viviane Barci, esposa dele, e Vorcaro.
Esses dois episódios deveriam ter sido suficientes para abertura de inquérito contra os dois ministros.
Mas, Fachin achou que não.
Com o áudio revelador de conversas entre Moares e Vorcaro, houve a saturação da tolerância de parte da sociedade mais politizada.
Começou um movimento contra o abafamento de mais esse caso.
Evidentemente, a imprensa livre, tendo em suas pautas diárias o assunto, colaborou com o aumento da indignação popular.
A tal ponto que as discussões sobre eleições ficou para segundo plano.
Só se fala da reunião da próxima terça feira, especulando-se como o Supremo vai reagir, abrindo investigação contra Moraes ou, novamente, abafando o caso, através de vários tipos de manobras elencadas por analistas políticos, como, por exemplo, pedido de vistas com o objetivo de levar a discussão para um futuro distante.
Seja o que for utilizado, para postergar a decisão correta, os ministros estarão apostando na impunidade a favor deles, acreditando que o tempo favorece essa pretensão.
Mas, não consideram que isso transmitirá à população um aumento do sentimento de impunidade, que poderá desaguar na votação de senadores que se manifestem a favor de um impeachment para ministros do Supremo.
Ou seja, pode não dar certo, num futuro próximo.
Qualquer decisão, que não ofereça uma conclusão que faça a população acreditar que houve justiça contra os poderosos, não é nem a questão pessoal de um ou outro ministro, mas afetará a já desgastada credibilidade na Instituição Justiça, como um todo.
E isso é péssimo para a democracia.
Se não pudermos confiar na Justiça, em quem confiar?