Assisti ontem o primeiro capitulo da serie de entrevista com candidatos a presidente, pela Globo News.
O entrevistado foi o candidato do partido Missão, Renan Santos, com 42 anos, que é um ativista, empresário, músico e político brasileiro.
Foi um dos fundadores e coordenadores do Movimento Brasil Livre, sendo uma das lideranças dos protestos contra o governo Dilma.
De todos os candidatos, ate o momento, é o único que apresentou ao publico um projeto de governo.
Pode-se ate não concordar com suas propostas, mas, só pelo fato de abordar temas, que estão engasgados na garganta de muita gente, nos obriga a refletir e debater sobre eles.
O diagnostico que Renan faz sobre a politica todo mundo sabe e concorda.
Temos um Congresso, cujos integrantes ele classifica como parasitas.
E são mesmo.
Estão mais preocupados com suas emendas parlamentares direcionadas a seus currais eleitorias, com o objetivo de ser manter no poder.
Entretanto, Renan demonstra lucidez ao afirmar que sabe que terá que negociar com eles para conseguir implantar as reformas constantes em seus diversos projetos.
Reconhece que não conseguira atingir plenamente seus objetivos de imediato, admitindo que deverá ser um processo demorado e fatiado, com pequenas vitorias ao longo do tempo.
O segredo de ser um bom governante na democracia é ter boas ideias, que ele tem algumas; apresentar projetos de Lei, que terá que elaborar; ter argumentos, que convençam os parlamentares a aprova-los, mas, pelo fato de nunca ter atuado no meio politico por dentro, talvez falte-lhe competência para conseguir seu intento.
Olhando a entrevista por inteiro, se tem a impressão de que Renan é um Jair Bolsonaro de 2018, que sabe o quer e que acredita saber como fazer.
Isso fica evidente quando tem o mesmo discurso de afrontamento ao Supremo ao afirmar que não cumprirá decisões monocráticas, por considera-la ilegal.
Ele esta certo quanto ao fato do Supremo não estar cumprindo, em algumas situações, sua atribuição de julgar os processos de forma colegiada no Plenário, com 11 ministros, ou em duas Turmas, com 5 ministros cada.Entretanto, a forma de não cumprir decisão judicial soa como anti democrática.
Questionado sobre isso afirmou que o Brasil vive uma falsa democracia, o que é uma verdade, e, portanto, para restaura-la pretende agir fora do contexto democrático.
Isso é uma contradição.
Se houver um rompimento formal da democracia, instala-se uma ditadura, que era o que pretendia fazer Jair Bolsonaro.
Uma vez rompida, como foi no golpe de 1964, leva-se anos para retornar à democracia.
O correto, dentro da democracia, seria o Senado afastar os ministros do Supremo que não agissem dentro das limitações constitucionais, que estabelece como função fundamental do STF afastar leis ou normas jurídicas que estejam em contradição com o texto constitucional.
O correto, dentro da democracia, seria o Senado afastar os ministros do Supremo que não agissem dentro das limitações constitucionais, que estabelece como função fundamental do STF afastar leis ou normas jurídicas que estejam em contradição com o texto constitucional.
Mas, como as lideranças do Senado tem potenciais problemas jurídicos no STF e, assim como num combinado, um não ataca o outro.
Esse impasse no Senado quem deve resolver é o eleitor, escolhendo melhor seus senadores.
Não cabe a um Presidente da Republica agir como um Justiceiro.
Renan disse que ha um vasto leque de temas que pretende agir como redução de gastos públicos, a questão do enfrentamento ao crime organizado mais firme, a questão das emendas parlamentares com critérios mais rígidos.
Sua proposta está a altura do que se quer de um candidato a presidente, mas ele precisa aperfeiçoar seu método para agir num ambiente democrático.
Apesar de estar concorrendo com Caiado no terceiro lugar, ambos não conseguiram romper a barreira dos dois dígitos, o que sugere que não conseguirão quebrar a disputa entre Lula e Flavio Bolsonaro.
Talvez, em 2030, Renan consiga ter mais energia para vencer.