Eu não acredito que uma pessoa tenha mais sorte ou azar que outra.
Mas, constato fatos, que poderiam me levar a acreditar que sim, por ocorrerem com determinadas pessoas, em determinados momentos de suas vidas.
No meu ceticismo, acredito que ha uma serie de ocorrências aleatórias, com a contribuição da pessoa, com suas escolhas, que, ao final, podem parecer sorte ou azar.
Eu mesmo tive vários casos, que poderia classificar como sorte.
Os de azar nem quero lembrar.
Quando criança, morava em Moema e estudava no Grupo escolar Martim Francisco, na Vila Nova Conceição, em São Paulo.
Ia a pé para a escola, em geral sozinho.
Certo dia, quando tinha um 9 ou 10 anos, estava só, e fui atravessar uma rua movimentada, que tinha duas mãos de direção.
A Avenida Afonso Brás.
Havia um ônibus, que havia parado no ponto.
Eu resolvi passar por trás do ônibus, com receio que ele voltasse a rodar e me impedisse de atravessar a rua.
Fui para trás do ônibus, tomei impulso e sai correndo para cruza-la.
Quando estava ultrapassando a traseira do ônibus, chegando no meio da avenida, vislumbrei, de relance, uma pessoa, do outro lado da rua, que levantou a mão.
Em questão de micro segundos me deu um "insight" de que poderia vir um carro e parei.
Parei no exato momento que um carro passou por mim, no sentido contrario ao ônibus.
Meu coração disparou pelo susto.
Foi sorte eu não ter morrido atropelado?
Ha vários outros casos, mas o objetivo desse texto não é falar de mim.
Como gosto de falar de politica, encontrei alguns casos de sorte e azar.
Vou me atentar aos mais recentes.
Jair Bolsonaro era um deputado federal inexpressivo, do baixo clero, que ganhou notoriedade com seus extravagantes embates contra a deputada petista Maria do Rosário.
Em decorrência da Lava Jato, havia um anti petismo dominante.
Bolsonaro, por seus atos na Câmara Federal, acabou se tornado o simbolo desse anti petismo.
Assim, na eleição para presidente da republica, em 2018, Bolsonaro foi eleito, mesmo, num primeiro momento, não sendo o candidato favorito.
Foi sorte de Bolsonaro?
Ou Bolsonaro, oportunisticamente ou não, acabou se colocando no local certo, na hora certa, com os eleitores certos, que acabaram adotando-o como candidato ideal.
Uma vez eleito, Jair Bolsonaro tinha a determinação de fazer um bom governo.
Contava, para isso, com Paulo Guedes, de quem tinha certeza que o ajudaria a ter um bom desempenho na área econômica e o nomeou seu ministro da Economia.
Em geral, um governo bem sucedido na área econômica, que é um item sensível ao eleitor, consegue se reeleger ou fazer seu sucessor.
Mas, durante seu mandato, surgiu a COVID, que atrapalhou todos os seus sonhos e planos.
Foi azar de Bolsonaro?
Ou foram apenas os efeitos deletérios, que essa doença provocou e que fizeram o ritmo na economia tivesse uma queda expressiva.
Mas, isso aconteceu em todas as economias mundiais.
Vários políticos pelo mundo, mesmo diante da catástrofe, agiram com bom senso.
Fizeram do limão uma limonada.
Bolsonaro não.
Entrou no modo desespero.
Talvez, por acreditar, tolamente, que se opusesse contra a pandemia seria suficiente para elimina-na, num passe de magica.
Isso levou-o a cometer falas e atos irresponsáveis e insultuosos.
Foi esse seu comportamento que acabou destruindo sua reputação, até entre os eleitores que o elegeram, e o fizeram perder a eleição de 2022.
Lula não teve sorte nas eleições presidenciais, desde a redemocratização.
Mas, finalmente, em 2002, Lula conquistou seu primeiro governo, que muitos suponham que seria um fracasso e acabaria com o encanto de um governo de esquerda.
Sem que ninguém esperasse, Lula se deparou com uma conjuntura econômica
internacional, que contribuiu para que seu governo tivesse sucesso na área econômica.
Essa condição, o ajudou a se reeleger e, depois, eleger, como sua sucessora, Dilma.
Foi sorte de Lula?
Ou Lula teve, apenas, o bom senso de aproveitar os bons ventos da economia e fazer uma administração tão boa, que quitou a divida externa e conseguiu fazer reservas em dólar, que subsistem ate hoje.
Mas, após deixar a presidência, Lula teve seu momento de azar.
Foi condenado por corrupção e preso.
A sorte o havia abandonado?
Não!
Mesmo tendo ficado preso por 2 anos, a sorte ressurgiu, quando o Supremo anulou o processo, que o condenara, e foi solto.
Foi sorte de Lula?
Ou foi só uma jogada politica do Supremo para tentar impedir a reeleição de Jair Bolsonaro?
Mas, parece que a sorte estava do lado de Lula.
Ele candidatou-se a presidente e foi eleito.
Eleito, em seu terceiro mandato, não encontrou a mesma conjuntura econômica, que o ajudou em seu primeiro mandato.
Seu governo, sem aquela tração, levou Lula até a acreditar que, desta vez, encerraria sua carreira politica.
Sua popularidade estava em baixa.
Nesse meio tempo Jair Bolsonaro enfrentou um julgamento por tentativa de golpe de estado.
E Trump foi eleito presidente dos EUA.
O filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, então, vislumbrou a oportunidade de conseguir ajuda de Trump para anular o julgamento, que seu pai estava sofrendo.
Teve a sorte de conseguir, através de relacionamentos nos EUA, que Trump impusesse uma taxação absurda nos produtos exportados pelo Brasil e até punições aos ministros do Supremo.
Situação que fez com que muitos bolsonaristas comemorassem e tivessem a certeza de que Lula teria um fim de carreira antecipado e desastroso.
Lula foi acometido de um novo azar?
Não!
Em defesa da soberania nacional, Lula resgatou a bandeira nacionalista, que os patriotas bolsonaristas carregavam.
Lula conseguiu que todos o brasileiros se unissem para enfrentar as arbitrariedades de Trump.
Sua popularidade mudou de queda para uma leva ascensão.
Depois, por incrível que possa parecer, Lula conseguiu conquistar a simpatia de Trump, que retirou parte das sanções econômicas e cancelou a sanção à Alexandre de Moraes.
Trump, que antes tinha ojeriza a Lula, por ser de esquerda, passou a ser um cabo eleitoral de Lula.
Mas, a sorte de Lula não parou por ai.
Trump, com suas medidas econômicas para atender sua ofensiva protecionista, e outras ameaças à geopolítica mundial, acabou derrubando a cotação do dólar no mundo.
Com o dólar em baixa, a inflação, que poderia causar estragos na economia e impedir a reeleição de Lula para um quarto mandato, conseguiu estacionar dentro dos limites da meta.
Ou seja, mesmo Lula gastando alem do que comporta o Orçamento publico federal, que para o povo pouco importa, conseguiu se apresentar para uma disputa eleitoral com números bons na economia, que para o povo é o que importa.
Ah! Quanto a Jair Bolsonaro, este foi condenado e encontra-se preso na Papuda, que ele sempre desdenhou como local onde iriam parar seus adversários políticos.
Mas, foi ele o contemplado.
Jair é uma azarado?
Ou se tivesse se mantido em seu ostracismo, de onde nunca deveria ter saído, não teria sido presidente, não teria cometido a tentativa de golpe e estaria livre, leve e solto.
Como disse, nos recebemos os efeitos de nossas opções.
Não é questão de sorte ou azar.
Na minha modesta opinião Lula teve sorte e Bolsonaro azar. Lula é mais inteligente que Bolsonaro. Bolsonaro carece de habilidade no trato com pessoas e isso se chama de azar quando a turma do toma lá, dá cá se sente agravada.
ResponderExcluirAss : Jose Alves Silva
👍👍👍
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