Não é a primeira vez, nos últimos governos, que o preço do diesel tem um aumento por razões alheias à nossa vontade.
Será mesmo?
Em razão do escândalo do Petrolão, no qual a construção da Refinaria Abreu e Lima, entre 2004 e 2014, foi alvo de corrupção e roubalheira, que causou um prejuizo estimado entre R$6 bilhões, sob o ponto de vista da Petrobrás, e mais de R$42 bilhões, segundo a Policia Federal, acabou colocando em risco a sobrevivência da Petrobrás e, por decorrência, fez com que desabasse o valor de suas ações nas Bolsas de Valores do Brasil e dos Estados Unidos.
Diante disso, os governos, que sucederam essa investigação criminosa, para que a Petrobrás se recuperasse financeiramente, estabeleceram a estrategia de exportar petróleo bruto e importar combustíveis produzidos no exterior, além de desinvestimento, com venda de ativos da empresa.
Com a retração de investimentos na construção de novas refinarias de petróleo, esse modelo de exportar petróleo e importar combustíveis persiste ate hoje.
Se houvesse um planejamento estratégico do governo focado em captação de investimentos no estrangeiro para construção de refinarias, ao invés do Brasil exportar petróleo bruto e comprar diesel, produziria aqui mesmo o diesel.
Hoje, talvez, fosse possível mitigar o aumento no preço dos combustíveis, em especial o diesel, que tem o modal rodoviário como responsável por 60% a 75% de movimentação de cargas no Brasil, com caminhões movidos a diesel.
É certo que, no governo Bolsonaro, houve um aumento do diesel, em parte explicada pela elevação das cotações de petróleo, aliada à aplicação de uma política de preços da Petrobrás, que previa a paridade em relação ao mercado internacional.
Em resumo, os preços praticados pela Petrobrás não tinham como referencia seus custos de extração de petróleo, mas o preço internacional do barril.
Com a invasão da Russia na Ucrânia, houve aumento do preço do barril, que em 2018 estava em US$55 por barril, indo a mais de US$100 por barril, no primeiro semestre de 2022, e na sequencia houve um recuo para US$83,46.
Paralelamente a essa causa, houve a desvalorização do real.
Em 2018 o dólar estava cotado em R$3,87 e em 2022 foi cotado em R$5,28.
Assim, com dois componentes da formação do preço forçando a alta do preço dos combustíveis, houve a elevada elevação do preço do diesel nas bombas.
Diante dessa elevação do diesel, em ano de eleição, somado á ignorância generalizada da população sobre o assunto, a culpa do aumento de preços recairia em cima de Bolsonaro.
Para evitar perder a eleição, por essa razão, Bolsonaro decidiu zerar os impostos federais, PIS e Cofins, e conseguiu aprovar no Congresso a redução do imposto ICMS, cobrado pelos estados, de 25% para de 18%.
Com essas medidas conseguiu segurar o aumento desenfreado no preço dos combustíveis.
Entretanto, a medida de redução forçada do ICMS fez com que os estados tivessem um prejuizo da ordem de R$27 bilhões, que exigiram do governo eleito esse pagamento dessa indenização.
Assim coube ao governo Lula pagar a conta.
Agora, em 2026, ano de eleição, Lula enfrenta o mesmo problema de Bolsonaro.
Com a guerra promovida por Israel contra o Irã, com apoio dos EUA, o preço do barril voltou a disparar e, novamente, ultrapassar os US$100 por barril.
Ainda que, no momento, o dólar não tenha sofrido desvalorização, semelhante a 2022, Lula adotou a mesma medida de Bolsonaro, de zerar os impostos federais e de pedir aos Governadores dos estados que façam o mesmo, reduzindo a taxa do ICMS.
Mas, essa proposta não foi bem recebida por eles, pois teriam redução em sua arrecadação.
Além do fato de Lula estar tentando sua reeleição, este seria um argumento útil para desgastar sua popularidade, pois, como já disse, para a população, o responsável pelo aumento nos combustíveis sempre é o Presidente da Republica.
Diante disso, Lula pensa em criar compensações para abrandar, em especial, o preço do diesel.
Aguardemos como ele reagirá.
O fato é que, mais uma vez, nossos governantes agem no improviso.
Ninguém tem capacidade de enxergar que o mundo esta em constante conflito e isso atinge diretamente o preço do petróleo.
Precisamos, como resposta, nem votar em Lula, nem em Flavio Bolsonaro e fazer uma limpeza no Congresso.
Toda essa turma que está no poder ha anos, demonstra incapacidade para governar.
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