quarta-feira, 27 de maio de 2026

Paraguai: destino de industrias brasileiras!




Muita se comenta de que industrias brasileiras estão se instalando no Paraguai.
Como sempre, aproveita-se de um fato consolidado para utilização na disputa eleitoral e aproveitar para falar mal do governo atual.
O problema é que fica só no chororô.
Nada se faz para mudar esse status quo.
Acredito que falta aos críticos conhecimento de que esse processo de mobilidade das plantas industriais é uma constante no meio empresarial.
As fábricas não desertam do pais por falta de patriotismo, mas buscam um ambiente mais acolhedor para seus negócios.
Essa migração internacional já aconteceu com fabricas americanas, que levaram suas plantas para a Asia, para reduzir os custos de produção.
Até os anos 1950 e 1960, a cidade de São Paulo e o Grande ABC concentravam a maioria das fábricas do país, especialmente a indústria automobilística e pesada. Porém, a partir dos anos 70, essa opção mudou.
De inicio, houve um  "espraiamento" para o interior paulista, pois havia 
trânsito travado, terrenos caros, dificultando a expansão, e forte pressão dos sindicatos, especialmente no ABC.
Depois, no fim dos anos 60 e ao longo dos anos 70 a desconcentração industrial
se deu para outras regiões do Brasil.
Uma das razões foi atuação do governo federal, que dava incentivos fiscais e infraestrutura para que a produção fossem para outros cantos do país.
Foi nessa época que foi criada a Zona Franca de Manaus, que surgiu o Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, além da  expansão industrial rumo à região de Curitiba e Porto Alegre.
Nos anos 1990, a saída de indústrias de São Paulo deixou de ser apenas uma busca por terrenos mais baratos e se transformou em uma verdadeira disputa política e econômica entre os estados brasileiros. 
Esse fenômeno ficou conhecido como Guerra Fiscal.
As estratégias usadas pelos estados para atraírem industrias foram a isenção ou redução do ICMS e prefeituras e governos estaduais doando terrenos prontos, com terraplanagem, energia elétrica, água e acessos rodoviários totalmente gratuitos.
Tudo isso com financiamentos subsidiados para que a empresa construísse uma nova fábrica.
Além disso, havia um custo de mão de obra muito mais baixo do que o de São Paulo, onde os sindicatos, especialmente os metalúrgicos, que eram fortes e organizados, exigiam salários mais altos.
Com isso, o setor mais afetado por essa disputa foi o automotivo.
Praticamente todas as montadoras expandiram suas linhas de produção para fora do eixo tradicional do ABC paulista.
Agora, chegou a vez das industrias migrarem para outro pais, o Paraguai.
Mais de 230 indústrias nacionais já cruzaram a fronteira.
Enquanto o Paraguai torna-se atrativo, com o governo oferecendo simplificação tributária, segurança jurídica e custos trabalhistas competitivos, aqui no Brasil, os políticos, nos últimos 40 anos, criaram e implementaram o chamado "Custo Brasil", que torna a produção no país muito mais cara do que a média global. 
Mesmo com a reforma tributaria, que tentou simplificar o manicômio Tributário que havia, as indústrias  sofrem com uma alta carga tributária.
Por outro lado, o Estado brasileiro apresenta gargalos na infraestrutura, com alta dependência do modal rodoviário e muita burocracia portuária, que encarecem o frete e atrasam o escoamento de mercadorias. 
Embora a mão de obra brasileira não seja considerada cara em termos de salário nominal, os encargos trabalhistas e a volatilidade nas interpretações de leis criam insegurança jurídica, por gerarem riscos de passivos jurídicos, que assustam o empresariado.
Além disso as taxas de juros são elevadas, inviabilizando o investimento, pois 
deixa de fazer sentido assumir o risco de construir uma fábrica quando o próprio mercado financeiro brasileiro oferece retornos altos e seguros em renda fixa, com liquidez imediata.
Finalmente, o Estado optou em deixar de subsidiar a industria, como fez no passado. 
O resumo disso tudo é que nossas escolhas politicas foram péssimas.
Os políticos, que elegemos, nunca pensaram em ajudar o Brasil.
Seus pensamentos estão focados em ajudarem-se, a si próprios, para que 
continuem no poder.
Não basta substituir Lula.
É preciso renovar o Congresso Nacional.
Mas, se depender do atual sistema eleitoral, que favorece a reeleição desses políticos, o parque industrial brasileiro perderá mais plantas.
Ou as Federações das Industrias se mobilizam, oferecendo novos políticos para compor o Congresso, além de virem para as mídias revelar ao grande publico o problema que vivemos, ou  virarão, num futuro breve, em agremiações de ex-industriais.


3 comentários:

  1. É isso que acontece quando a gente mantém governantes incapacitados para exercer suas funções corretamente. Eu já tenho um parente que tirou cidadania paraguaia, que inclusive não precisa de visto para entrar nos USA. Renato Duarte

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  2. Infelizmente não temos um líder que assuma estas mudanças radicais, apenas "briga" de falsos líderes

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  3. Muito interessante seu estudo. Da minha vivência profissional posso afirmar que a empresa que fica parada quebra. Lembro no início das obras da imigrantes havia uma grande siderúrgica: ALIPERTI. Estudei com António , neto do fundador. Na via ANCHIETA, lembro entre outras, da Fábrica dos famosos dropes Dulcora, enriquecida em sua história pela passagem de Dona Marisa que em paz descanse. E assim, nesse itinerário para a Escola de Engenharia Mauá certamente centenas de empresas fecharam as portas.Um governo que se aproveita dos empresários, pessoas e grupos que geram empregos e riqueza é um absurdo. Não saberia avaliar os ciclos arriscados que pela incompetência do governo federal, estadual e municipal passaram os empresarios. Todavia minha balança pende para os empresários e se afasta ao máximo do governo onde o único órgão que se modernizou é a Receita Federal para raspar até os ossos dos empresários e aposentados.
    Logo, se tivesse uma empresa de bacias e baldes de plástico e de escovinhas para raspar vasos sanitários, já estaria no Paraguai, alegre e cantando “ CHALANA “ às margens de Rio Paraguai.
    Ass.: JOSÉ ALVES SILVA - Engenheiro Civil

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