Segundo pesquisas 57% da população carioca aprovou a operação policial, cujo nome foi "Contenção", determinada pelo governado fluminense Claudio Castro. Esse resultado era esperado, diante de uma população aterrorizada e extorquida pelo crime organizado.
Entretanto o resultado de 121 mortos, entre eles 4 policiais, segundo estatística divulgada pelo governo fluminense, havia 43 com mandatos de prisão e 78 com histórico criminal, mas não se encontrou, entre os mortos, nenhuma liderança do crime organizado.
Conteve-se, através do massacre, apenas bandidos do "baixo clero", que deixarão de importunar a população.
Mas, isso não resolve o problema.
Apesar de acreditarem no sucesso na operação, na verdade tratou-se de um extermino mesmo, ao estilo Esquadrão da Morte.
Faz-me lembrar do delegado Sivuca, fundador da Scuderia Le Coq e um dos articuladores do Esquadrão, com apoio do então governo fluminense, que dizia aos quatro ventos: "bandido bom é bandido morto".
Como aconteceu naquela época, mataram-se bandidos, mas o crime continuou e de la pra cá, aumentou ainda mais a violência e a capacidade de ação dos criminosos.
O fato é que para a operação ser considerada um sucesso, seria preciso que as forças policiais recuperassem o território ocupado pelo crime organizado.
Mas, isso não aconteceu.
Depois da matança, a policia virou as costas e foi embora.
Nem, se quer, aguardaram o trabalho pericial, que deve ser feito quando ha mortos.
Foram os próprios moradores da comunidade que resgataram os corpos e os levaram para uma praça publica, de onde foram recolhidos para autopsia.
Ou seja, a operação, no meu entender, foi apenas espetaculosa o suficiente para
alegrar a população, que a apoiou.
Mas, como alegria de pobre dura pouco, não resistiu ao retorno, imediato, da realidade da dominação do território pelos criminosos.
Digo mais, como houve grande repercussão, essa operação serviu mais para a "Contenção" da escalada politica do presidente Lula, que depois das alções criminosas de Eduardo Bolsonaro, vinha crescendo em popularidade.
Ou seja, foi um ação politica da oposição a Lula.
Na medida que a criminalidade e a violência são os temas mais sensíveis nas discussões politicas, uma ação de combate ao crime desse porte, consegue enganar a população fragilizada, fazendo-a acreditar que as autoridades estão se mexendo na tentativa de resolver o problema.
Embora ações dessa natureza causem efeito momentâneo, a verdade é que estamos diante de uma problema gravíssimo.
Não vejo disposição da sociedade e, por conseguinte, dos políticos de quererem enfrentar a solução do problema, fora da ideologia politica.
A solução passa, no meu entender, entre outros caminhos, pela redução da corrupção das autoridades a níveis que, por exemplo, o Judiciário não venda sentenças para inocentar bandidos; a redução do consumo de drogas junto ao usuário, com politicas motivadoras, a exemplo do combate ao cigarro; e na asfixia financeira do crime organizado, que infiltrou-se no meio empresarial e politico.
Tenho consciência que isso é uma utopia.
Então classificar como terrorista, ou o nome que se queira dar, não muda em nada a realidade.
É pura discussão semântica, que esconde a dura realidade.
Também não cabe ideologias fantasiosas.
O que devemo fazer, como sociedade, se, realmente, quisermos mudar a triste realidade é tornar a utopia num desafio e adotarmos debates com soluções racionais e as perseguir incansavelmente.
Estamos dispostos a isso?