Michelle resolveu trocar de estilo de vida profissional.
Deixou seu emprego como Designer na VIVO para se dedicar a Yoga e tornar-se professora autônoma.
Com isso, perdeu seu plano de saúde.
Foi quando tudo começou.
Ela sentia falta de ar, durante os exercícios, que fazia nas aulas de Yoga.
Quando ela mais ela precisou do plano de saúde, para fazer uma consulta, não tinha um.
Ela achou que estava com asma e iniciou um tratamento com bombinha.
Ate que em 2020, como a falta de ar persistia, decidiu ingressar no plano de saúde da Prevent Sênior.
Uma medica requisitou que fizesse uma tomografia de tórax.
Feita a tomografia, foi diagnosticado que a falta de ar era causada por um tumor cancerígeno na traqueia, próximo ao pulmão, que estava estrangulando a passagem de ar, a asfixiando e a levaria a morte em pouco tempo.
Entretanto o plano estava em período de carência.
Mesmo assim, diante do resultado alarmante da tomografia a Prevent a internou no Hospital Dubai, imediatamente, e a submeteu a uma cirurgia para desobstrução da traqueia.
Tivemos que pagar o custo da internação e cirurgia, ainda que com desconto da Prevent, que nos atendeu com humanidade.
Na sequencia, fez 30 sessões de radioterapia.
Felizmente, ela tem uma família e uma rede de amigos, que deram suporte, acompanhando-a, em revezamento, tanto no hospital, quanto em seu apartamento, onde vive com o filho.
Como ela é profissional autônoma, sem trabalhar, não conseguia recursos.
O suporte também incluiu ajuda financeira, para custear o tratamento hospitalar e, também, para pagar a contas do dia a dia, que não pararam e aumentaram com compras de remédios, suplementos e consultas com oncologista particular, o Dr. Gilberto, do Sírio Libanês.
A partir dai, para acompanhamento do resultado do tratamento na traqueia, ela teve que se submeter a sucessivas tomografias.
Foi, então, detectado vários pequenos nódulos no pulmão.
Ao longo dos últimos anos deu metástase no figado e num dos rins.
Como ela estava sendo acompanhada pelo Dr. Gilberto, este não adotou o tratamento por quimioterapia convencional, pois não acreditava que trouxesse resultados promissores.
Assim como a radioterapia, pois como os nódulos eram pequenos, seria difícil atingi-los sem danificar os pulmões.
Assim, o Dr. Gilberto decidiu enviar, para uma Universidade nos EUA, uma lamina com a biopsia do tumor do pulmão, para estudarem a possibilidade de um tratamento por imunoterapia, mas resultou negativamente.
Michelle estava diante de uma situação terrível.
Nenhum tratamento tinha condições de conter o crescimento dos tumores.
Como os tumores eram de crescimento lento a solução foi aguardar que surgisse um novo medicamento.
Mas, um dos tumores do pulmão, que estava próximo da costela, fez com que Michelle sentisse dores insuportáveis.
Assim, no incio deste ano, o Dr. Gilberto prescreveu primeiro um adesivo a base de morfina, para reduzir o desconforto, e receitou um remédio, em comprimidos, que havia sido lançado no mercado para combater um determinado tipo de câncer.
Como era medicamento novo e, ainda, estava em estudos para combater outros tipos, ele decidiu utilizar, experimentalmente.
Entretanto o remédio custava na faixa de R$25.000,00, por uma caixa com 30 comprimidos, que deviam ser administrados diariamente.
Conseguimos que a Prevent fornecesse o remédio.
Assim foi por 4 meses.
O remédio não conteve o crescimento e, pior, causou-lhe debilidade física.
Foi então suspenso.
Como as dores persistiam, o Dr. Gilberto prescreveu sessões de quimioterapia, para combater os tumores e radioterapia focalizada no tumor, que estava encostado na costela, para aliviar a dor.
Ela teve que colocar um tipo de cateter no peito, para receber uma infusão, na clinica da Prevent e, depois, ao longo da semana, receber infusão através de um equipamento portátil junto ao corpo, que continha o remédio, que era bombeado para a veia pelo cateter.
Ela fez uma sessão de quimioterapia e uma sessão de radioterapia.
Isso a debilitou-a a tal ponto que teve que ser internada na unidade Russia da Prevent, onde ficou 12 dias.
Saiu numa quinta-feira, mas no domingo apresentou febre e baixa oxigenação. Foi internada com pneumonia no Hospital Dubai da Prevent.
Ela tem tido melhoras no estado geral, sob efeito de medicamentos.
Mas, oscila muito
Cada dia é um novo dia.
Conforme informou a medica para a Cris, minha esposa, a expectativa de melhora da Michelle é baixa.
Ela não consegue fazer esforço, pois sente falta de ar e o coração acelera.
Na verdade, Michelle luta duplamente.
Primeiro para se recuperar da debilidade física.
Enquanto isso o câncer continua sem ser combatido e, se recuperando, terá como próximo desafio fazer tratamento quimioterápico e radioterápico.
Quanto a recuperação física, na vida, tudo pode acontecer.
Eu mesmo fiquei desenganado, quando tive um câncer no figado.
Fiz cirurgia e, no pós operatório, contrai pneumonia e infecção hospitalar dentro da UTI.
Embora com medicamentos de ultima geração para combater a infecção, não melhorava, a ponto de familiares acreditarem que não sobreviveria.
Ate que meu organismo conseguiu reagir e estou vivo ate hoje.
O certo é que nunca se sabe como cada organismo reagirá.
Diante de tudo isso, tenho que agradecer a solidariedade dos parentes e amigos, que estão ajudando muito a Michelle.
A solidariedade é importante, pois, todos precisamos de apoio, independentemente da maneira de como vemos a vida.
Minha maneira de enxergar a vida é realista.
Assim como a da Michelle.
Isso não impede de termos desejos.
Meu desejo é que Michelle se restabeleça.
Entretanto, nem eu nem ela perdemos a visão da realidade.
O câncer que ela desenvolveu não tem cura.
Ainda que tenha desenvolvimento lento, o máximo que ela pode esperar é uma sobrevida ate que se encontre um tratamento definitivo ou ate onde for possível ter uma vida minimamente confortável.
Portanto, não tenho ilusões de que ela se cure do nada.
Neste momento, tudo dependerá da reação do organismo dela.
Determinação para viver ela tem, pois tem um filho de 16 anos e ela gostaria que ele não ficasse órfão de mãe, tão cedo.