A estrutura hierárquica clássica, através do medo, impunha obediência e respeito. Aparentemente, funcionava para uma boa convivência social.
Apesar de que, pelo exagerado autoritarismo, permitia abusos opressores do topo da estrutura aos que estavam mais em baixo.
Assim permaneceu por séculos.
No Brasil, no final dos anos noventa, houve aumento tecnológico, que obrigou as instituições a reinventar seus processos para se adaptarem às mudanças.
Que fazem parte do conceito da evolução natural, em que tudo está em constante movimento e sujeito a mudanças.
Com isso, a hierarquia flexibilizou-se e o comando, que era gerencial, passou a ser através de liderança.
A imposição foi substituída pelo convencimento.
Isso confundiu a cabeça de muita gente.
Fazendo-os acreditar que alguns valores consagrados foram extintos.
Quando na verdade precisavam ser mantidos, pois continuamos vivendo em sociedade.
Na escola, por exemplo, acho importante o respeito e a disciplina.
Valores estes que foram fragilizados nos últimos anos.
A educação também foi objeto de transformação tecnológicas, sociais e estruturais.
O processo de aprendizagem não é mais unidirecional.
O método tradicional, em que o professor ministra uma aula e os alunos recebiam as informações, não é mais funcional.
O professor atua como um orquestrador da dinâmica na qual os alunos constroem gradativa e coletivamente os próprios conhecimentos.
Mas, um professor continua sendo um professor e não tio ou tia de ninguém.
A utilização desses termos desvaloriza o papel do professor, cuja função é atuar na formação do conhecimento do aluno de maneira profissional e não confundi-lo com um parente, que não requer conhecimentos específicos.
A partir desse titulo iniciou-se o processo de desrespeito ao professor, não só pelos próprios alunos, mas, também, por seus pais, a ponto de acontecer inversões na relação.
A partir desse titulo iniciou-se o processo de desrespeito ao professor, não só pelos próprios alunos, mas, também, por seus pais, a ponto de acontecer inversões na relação.
Houve casos de alunos agredirem fisicamente professores, por razões fúteis, como tirar uma nota baixa.
Houve casos de pais irem tomar satisfação, de maneira agressiva, do por que o professor deu nota baixa para seu filho, ao invés de querer saber do por que e qual deficiência o filho estava tendo no aprendizado, para reforçar, em casa, aquilo que ele sentisse dificuldade.
O aluno passou a ser mais importante que o professor.
Essa mudança cultural exigiu que o sistema educacional buscasse sempre inovar ou adotar novas tecnologias que sejam viáveis.
Mas, por deficiência desse sistema, por razões cuja profundidade desconheço, os políticos tomaram para si esta atribuição e, ao invés de pesquisar adaptações a nova realidade, movidos pela ideologia, apresentaram propostas simplistas, como as escolas cívico militares.
Sua pouca experiencia no mundo da educação fez com que acreditassem que a rigidez disciplinar é suficiente para a recuperação dos valores perdidos, além de
melhorar os baixos índices de desenvolvimento escolar.
Parecem desconhecer que as escolas militares acolhem alunos através da seleção dos melhores alunos.
Dai seu desempenho escolar ser maior.
Diferente da escola convencional que abriga a todos sem discriminação.
O que acabou acontecendo foi que as escolas cívico militares não focaram no aspecto pedagógico, que é o essencial para melhorar a qualidade de ensino.
Nem no restabelecimento dos valores essenciais para o convívio social através do convencimento.
Restou apenas acolherem ex-policiais para que estes impusessem,
autoritariamente, regras rígidas à estética corporal dos alunos, como cortes, estilo e cores de cabelo, assim como barbas e bigodes, que restringe os direitos dos alunos de se expressarem conforme sua cultura, que é mais permeável do que a disciplina militar.
Além do potencial de censura a temas, que desagradem esses interventores, e doutrinação a ideologias, que impedem a livre formação critica do jovem.
Ha manifestação judicial no sentido de que os direitos dos alunos sejam preservados.
Assim, restará a essas escolas apenas maior segurança escolar.
O que é bom, mas pouco pelo que se propunha a fazer.
Essa história de colégio cívico militar começou há alguns anos em escolas publicas de Brasília e se multiplicaram pelo país no governo Bolsonaro. Já os colégios militares, iniciados com a fundação do Colégio Militar do Rio de Janeiro, no século XIX, na República, destinava-se à educação de filhos de militares. Ao concluí-lo, os alunos podiam ingressar na AMAN-Academia Militar de Agulhas Negras. Hoje há colégios militares em Porto Alegre, Fortaleza, Recife e parece que em São Paulo. Há também um Colégio Naval em Angra dos Reis. Nestes colégios estudaram militares que ocuparam cargos superiores como ministros e até presidentes (no governo militar, Medici, Geisel, Castelo Branco). Hoje a admissão é por concurso público.
ResponderExcluirO comediante Agildo Ribeiro era filho de Agildo Barata Ribeiro, um dos tenentes da revolução de 1930 e que depois participou da revolta comunista de 1935 e foi preso e condenado pela Lei de Segurança Nacional. Apesar disso Agildo Ribeiro teve direito a cursar o colégio militar, embora sofresse “bullying” em consequência das atividades do pai.
Esse modelo cívico militar não tem nada a ver com um colégio militar.
Infelizmente não estamos preparados para a nova realidade. Não ensinaram as pessoas a raciocinar e pensar e nem a família fez o seu dever de casa, que era dar educação, respeito e hierarquia. Renato Duarte
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