domingo, 15 de março de 2026

Chega de golpes!




A republica brasileira, ao longo de sua existência, sempre teve tentativas de golpes.
As revoluções ou golpes de estado, no Brasil, sempre foram resultados de insatisfações no pais, que viam a violência como único meio de resolver esses problemas, ao invés de adotarem meios civilizatórios.
A própria republica não foi um anseio popular de mudança de regime.
O povo estava satisfeito com o Império.
Mas, havia uma insatisfação das elites contra o Império, que, através da Princesa Isabel, promulgou a Lei Áurea e acabou com a escravidão no Brasil.
O resultado foi um golpe militar, que proclamou a republica no Brasil. 
Estabelecida a republica, inicialmente, foram dois primeiros Presidentes militares. Em seguida, foi a vez dos civis assumirem a presidência, sendo Prudente de Morais o primeiro civil. 
A partir do presidente Campos Sales foi estabelecida a politica cafe com leite, na qual se revezavam, como Presidentes da Republica, políticos paulistas e mineiros. 
Essa politica despertou um descontentamento no país, que foi se avolumando.
Quando o presidente Washington Luis, paulista, rompeu com essa pratica, indicando como seu sucessor não um mineiro, mas Julio Prestes, um paulista, primeiro os políticos mineiros ficaram indignados.
Mesmo assim, houve uma eleição, da qual Julio ganhou contra Getulio Vargas, então governador do Rio Grande dos Sul.
Inconformado com o resultado da eleição, que dizia ter sido fraudada, Getulio Vargas iniciou uma articulação armada para dar um golpe de estado, conhecido como Revolução de 1930, ano em que tomou o poder da republica.
Getulio teve apoio, dessa iniciativa, de políticos de outros estados, como os de Minas Gerais e da Paraíba. 
Foi assim iniciado o envio tropas militares insurgentes do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, que  se dirigiam à capital federal, que era no Rio de Janeiro, para derrubar Washington Luis.
Enquanto os insurgentes estavam em confronto com tropas federais, generais, que estavam no Rio de Janeiro,  derrubaram o governo, prendendo o presidente, assumindo o poder, através de uma junta militar, impedindo a posse do presidente eleito Julio Prestes e, em seguida, empossando Getulio Vargas no poder.
A partir do fim da ditadura Vargas, em 1945, muitas crises políticas ameaçaram a estabilidade da  republica. 
Ate que o presidente Jânio Quadros, que se isolara no poder, decidiu renunciar, em 1961.
Suspeita-se que essa renuncia tinha como objetivo uma tentativa de golpe de estado, pois como os militares consideravam o vice de Jânio, João Goulart, um comunista, haveria uma recusa do Congresso à renuncia e assim Jânio retornaria ao poder mais fortalecido e, quiçá, fecharia o Congresso.
Só que o Congresso, que não tem tolo entre o seus, aceitou a renuncia.
Os militares ficaram insatisfeitos e tentaram impedir a posse de João Goulart. 
Como ele estava em viagem para a China, houve tempo suficiente para encontrarem uma solução.
Jango tomou posse sob a republica parlamentarista, na qual seus poderes foram reduzidos!
Esse modelo mostrou-se instável, pois havia muita troca de ministros, criando descontentamento entre os políticos e insatisfação popular.
Assim, em 1963, foi realizado um referendo popular, que teve votação esmagadora a favor do retorno do presidencialismo.
Com isso, João Goulart retomou seus amplos poderes presidenciais, aproximou-se da esquerda, causando instabilidade no país.
As forças conservadoras reagiram e queriam seu impeachment, como exigia o então governador de São Paulo, Ademar de Barros.
A crise politica foi aumentando, com uma crescente oposição à João Goulart.
A população foi convocada para ir às ruas, demonstrar seu descontentamento 
com o governo, culminando com a criação da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, para legitimar uma intervenção militar.
O resultado dessa insatisfação levou à revolução de 1964.
Novamente, os militares derrubaram o presidente, formaram uma junta provisoria e acabaram por empossar o Marechal Castelo Branco como presidente.
Apos 21 anos no poder, os militares devolveram o poder aos civis, que vinha tranquila, ate que foi eleito presidente Jair Bolsonaro.
Durante seu mandato, insinuou que daria um golpe de estado, mas nunca o tentou além de um planejamento mal sucedido.
Com isso ganhou corpo, como defensor da democracia, o Supremo Tribunal Federal.
Diante de tanto poder, este se corrompeu, através de decisões, que ultrapassaram seu desígnio constitucional, a ponto de ser dito, entre o povo, que ha uma ditadura de toga. 
A situação piorou com suspeitas de envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o golpistas financeiro Vorcaro, dono do banco Master, que causou um enorme prejuizo entre seus investidores.
Essa situação de descontentamento contra o Supremo vem se avolumando e, neste momento, há uma crise institucional, que poderá levar o Brasil a resolver seu descontentamento, como sempre o fez, ao longo da republica, com um golpe de estado.
O brasileiro é um povo movido por reações emotivas.
Então é preciso que os mais racionais, que estejam em cargos superiores do poder, façam com que esses ministros sejam, no minimo, afastados, definitivamente, de seus cargos, numa tentativa de aplacar essa revolta e evitar-se mais uma ruptura na democracia.
Chega de golpes!

 



3 comentários:

  1. Seus comentários sempre muito ricos m de informações baseadas na história, e uma análise construtiva de hipóteses que possam se realizar, com os cuidados de não exagerar em ufanismos baratos nem retrocessos casuístas.
    Dentro dessa sua análise, você não acha que o Flávio Bolsonaro caso se eleja, não pretenderia um golpe, ja que esse desejo está no DNA da família?

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  2. Sou Antonio Rocca do comentário acima, esqueci de nominar

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  3. Excelente resumo. Quem não tem retrospectiva histórica é incapaz de se situar no mundo e na sociedade. Na revolução de 1964 era o Brasil o dos jornais, da classe média, da família e da decência que tomava uma posição contra o comunismo. O comunismo já havia saído do esconderijo apareceu como uma ditadura totalitária, materialista, persecutória e imoral. A KGB foi melhor que a CIA e descentralizou sua operações. A Tcheco Eslováquia era responsável pelo Brasil assim como a Bulgária, pelo Vaticano. Castelo Branco, um patriota, logo quis devolver o país aos civis, mas foi traído por militares de alta patente, incultos e rudes. Veio então a ditadura. Foi péssima, pois no dizer do filosofo Olavo de Carvalho, matou as lideranças civis do Brasil e hoje estamos entregues à cambada e à quadrilha de medíocres, gente também ignorante de Platão e de Aristoteles logo da virtude como coluna vertebral. Gilmar Mendes é um canastrão expressionista da sonolência moral das lideranças. Quando o corrupto governador de MT foi preso, há anos, Gilmar ligou prata para ele perguntando como estava, se precisava dele, do amigo de negócios.
    GM não renunciou. Ao contrário, se instalou em Portugal, pintou os cabelos, fez esticamento facial, fez um divórcio aparente, alterou a legislação com a conivência de um Congresso Nacional subornável e subordinado já prevendo que a onça vai descer da árvore em pouco tempo. O golpe que os brasileiros queriam, com Bolsonaro, era impedir a posse de Lula, o mais cínico, desleal e hipócrita politico que lesou o Brasil e a Sociedade abrindo caminhos para pilhagens, aproveitamento do Estado seja através de um automóvel com motorista seja auferindo de fortunas ilícitas com o
    Dinheiro Publico. Portanto, se Moraes e Toffoli não se demitirem deixarão um borrão indelével de sujeira, de repulsa e de asco na História. Ass. José Alves Silva

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