sexta-feira, 10 de abril de 2015

Delator muda versão e nega sobrepreços nos contratos da Petrobras!

Interessante como esses canalhas, que butinaram o governo, subestimam a nossa inteligência.
Paulo Roberto Costa, que se beneficiou da delação premiada, resolveu alterar sua versão.
Agora, disse que não houve sobrepreço nos contratos da Petrobrás!
Talvez, em conluio com as empreiteiras denunciadas, que disseram o mesmo.
A tese deles é que o dinheiro que foi desviado...
Que poderá também no futuro ser retificado para doação divina....
Pois então, a tese é que o dinheiro desviado foi parte do lucro da empresa!
Que lindo!
Com isso pretendem descaracterizar que houve roubo de dinheiro público!
Sim, dinheiro que saiu do lucro da empresa não é dinheiro publico!
Como são engenhosos esses advogados!
Para quem não sabe, o lucro usual em empresas desse tipo gira em torno de 10%.
Ai é que a porca entorta o rabo.
Como o valor desviado é bem superior a 10%, como explicar o enriquecimento dessas empresas, se operavam com prejuízo?
Claro que houve superfaturamento, sim!

Sem esse artificio, não seria possível todos ganharem o que ganharam.

Gestão temeraria

Lembro de quando era criança, minha mãe administrava a casa com sucesso.

Mesmo com os poucos conhecimentos de administração que tinha, pois não teve formação universitária.

Provavelmente era uma administradora nata, já que seus aplicativos eram pura intuição.

Separava a quantidade de matéria prima certa para que no preparo da comida a empregada não desperdiçasse.

Nada de fazer comida para um batalhão, como algumas empregadas gostam de fazer e, depois, sobrar comida.

A mesa era farta, sim, mas não sobrava comida para ser jogada fora.

O material de limpeza e higiene também era dosado.

Tudo estava sob seu controle.

O resultado era que, praticamente, não havia nem desperdício, nem roubo por parte das empregadas.

Minha mãe zelava pelas finanças da família na casa.

É bem verdade que os gestores de hoje não têm a mesma preocupação com as finanças das empresas que trabalham.

Afinal, qual é o comprometimento que tem com as empresas?

Nenhum!

Estão nelas para ganharem seu provento e só.

Ainda que em muitos casos querem ainda mais.

Querem roubar.

Isso me remete ao tempo de estudante universitário, quando estagiava numa construtora.

Foi lá que conheci a face obscura do caráter do ser humano, que até então desconhecia.

A obra era grande e tinha em torno de 200 operários.

Havia um apontador de mão de obra que era o responsável pela parte de relações de trabalho na obra.

Já estava na empresa há muitos anos.

Era de confiança!

Eu estranhava seu jeito de se vestir.

Era cheio de pulseiras e colares de ouro.

Não entendia como era possível um sujeito com salário não muito alto se vestir assim.

Curioso indaguei-o.

Ele, para justificar sua condição financeira exuberante, respondeu que fazia negócios fora do expediente.

Um dia ele foi acometido de uma doença que o afastou do trabalho compulsoriamente.

No dia seguinte foi dia de pagamento dos operários.

Como o apontador não estava lá, o engenheiro residente solicitou que eu e outro estagiário assumíssemos o papel do apontador e realizássemos o pagamento.

No final do dia constatamos que uns 15 operários não apareceram para receber.

Comunicamos o fato ao engenheiro que nos orientou a aguardar que nos próximos dias os faltantes apareceriam para receber.

O que de fato aconteceu com uns 5.

Os outros 10, nada de aparecer.

Passou-se uma semana e ninguém reclamava de seu salário.

Na verdade nunca apareceram.

Eram funcionários fantasmas!

Ah! Nem o apontador mais voltou para a obra!

Nessa obra não ficou só nisso.

Certo dia o mesmo engenheiro residente solicitou que eu acompanhasse a pesagem do aço que seria entregue na obra.

Fui até a usina e acompanhei o carregamento e pesagem da carreta.

Peguei o tíquete com o peso.

Havia cumprido minha missão.

Deveria retornar à obra, mas, por mera curiosidade, resolvi seguir aquela carreta, sem que o motorista percebesse.

No meio do caminho o motorista descarregou parte da carga em outra obra.

Estranhei, pois que aquele carregamento era totalmente para a obra que estagiava.

Se não tivesse presenciado o fato e denunciado ao engenheiro da obra, muito provavelmente a empresa iria arcar com o custo total da carga e só ter recebido parte.

Onde quero chegar com esses exemplos?

A questão é que podendo roubar, alguns roubam.

Outros desperdiçam.

Portanto, um gestor tem que ser honesto.

Concordo que não é fácil identificar essa característica na contratação.

Mas, sem ela, abre-se a porta para que toda a equipe sinta-se à vontade para roubar ou desperdiçar.

Além de ser honesto, o gestor tem ser alguém com muita experiência.

Não só das técnicas que aprendeu na escola, mas que seja perspicaz para perceber o desvio de conduta de seus comandados.

E não foi isso que vimos nos gestores do PT no governo.
  
Dilma pode espernear dizendo que é honesta, o que não acredito, pois mentiu muito em sua campanha eleitoral.

Mas, imaginemos que seja honesta e ingênua.

Só isso para explicar do porquê, na qualidade de Conselheira da Petrobras, não tenha detectado que a compra da Refinaria de Pasadena tenha sido super faturada.

Mas, não é só ela.

Graça Foster também.

Como uma presidente da Petrobrás pode ser uma gestora sem experiência, a ponto de não perceber o prejuízo financeiro que a empresa foi submetida.

Como pode ser uma profissional especializada, que não tenha os conhecimentos técnicos para estabelecer parâmetros que pudessem detectar os desvios cometidos?

Não estamos falando de grãos de areia no oceano.

Foram bilhões de reais!

A conclusão que chego é que minha mãe fazia todo aquele esforço porque era comprometida com a honra, com a honestidade.


Mas, no mundo profissional poucos são os que são comprometidos.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Terceirização de mão de obra em votação - parte III

Essa questão da aprovação da terceirização da mão de obra é um assunto polemico.

Observo que alguns alegam que irá provocar conflito na relação capital e trabalho, com vitória do capital que promovera a redução dos direitos e salários.

Se de um lado é possível que isso ocorra, porque alguns empresários se aproveitarão dessa medida para melhorar sua lucratividade, de outro lado reduzira os conflitos no âmbito da Justiça do trabalho.

A meu ver, o conflito na relação capital e trabalho é resolvido pela lei de oferta e procura.

Se uma determinada atividade está ofertada, os salários tendem a diminuir.
Assim como acontece o contrário quando há carência de trabalhador os salários tendem a aumentar.

Um bom exemplo disso foi o que aconteceu com as empregadas domesticas.

Até o final da década de 80, empregadas domesticas ganhavam na média menos do que 50 dólares por mês.

A partir da década de 90 passaram a ganhar o mínimo de 100 dólares por mês e hoje ganham em torno de 500 dólares por mês.

Por que?

Com os baixos salários domésticos, as empregadas passaram a trabalhar como faxineiras de empresas, que antes era exercido apenas por homens.

E começaram a ganhar mais.

Resultado, a migração provocou escassez de empregadas domesticas.

Reagindo a isso as patroas passaram a pagar mais para tê-las em suas casas.
Estabeleceu-se uma competição de mercado.

O mesmo aconteceu nos últimos 10 anos, por exemplo, na construção civil, quando operários disponíveis eram raros, provocando um aumento nos salários e benefícios desses trabalhadores.

É preciso entender esse mecanismo a favor dos trabalhadores e estabelecer mecanismos que provoquem competição de mercado.

Isso deveria ser competência dos sindicatos.

Que não o fazem.

O objetivo da maioria dos sindicatos é apenas arrecadar.

Aliás, não por outra razão que são contra a terceirização.

Como a contribuição sindical é obrigatória, quanto mais gente estiver pendurada no sindicato mais ele arrecada.

Entretanto, há uma outra razão que de fato interessa a aprovação dessa legislação.

Trata-se da solução, ainda que precária, da inflexibilidade da legislação trabalhista.

Enquanto essa questão não for abordada de frente, arremedos como esse são necessários.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Terceirização de mão de obra em votação - parte II

Minha publicação sobre a terceirização, abriu uma boa discussão sobre o assunto, o que é bom, pois assim ampliamos nosso conhecimento sobre os diferentes pontos de vista sobre o problema.

Minha amiga Dalva Lima Oliveira teceu os seguintes comentários:

“Li seu artigo e discordo, em parte. No serviço público, a terceirização serve para contratar firmas dos "amigos". O pessoal que trabalha é remunerado com salários pífios. E essas empresas desaparecem, da noite para o dia, sem contribuir para nada. O sujeito é praticamente escravo. Hoje as repartições estão cheias de terceirizados. Ainda acredito no concurso público, mas acho que a pobreza moral da Administração é que impede que se demita. O Brasil precisava começar tudo de novo.”

Completado por:

“O PMDB tirou o projeto do arquivo. É briga de gente grande, sobretudo de Sindicatos. Particularmente. No serviço público, tudo que vi foi o escravizado de um lado, o protegido de políticos só buscando o contracheque e aboletados nós melhores cargos em comissão e os concursados...Trabalhando e sendo chamado de "funcionário público ". Pode ter melhorado. Quem sabe? “

Concordo com ela.

No serviço público há muita terceirização.

Não estou me referindo aos contratos de obras ou serviços especializados.

Mas de contratos de prestação se serviços, que deveriam ser prestados pelos funcionários públicos.

Como por exemplo o gerenciamento de obras.

O estado dispõe de técnicos para exercer a fiscalização de contratos.

Mas ao invés disso contrata empresas para exercer esse papel.

Outro exemplo são as Organizações Não Governamentais, as ONGs.

Para não ser injusto, posso afirmar que 90% dos contratos com ONGs no Brasil são com empresas que se transvestem de ONGs para ter contratação privilegiada.

Uma ONG não pode, sob meu ponto de vista, ter quase 100% de sua receita proveniente de contratos com o governo.

Não é ONG. É empresa.

E são essas ONGs que acabam executando funções que deveriam ser eminentemente executados por funcionários públicos.

Ai o comentário de Dalva acerta em cheio.

Os amigos do rei são contratados, prestam serviços de baixa qualidade, são muito bem remunerados, mas pagam salários pífios a seus empregados.

Conheço pessoalmente muitos casos desse tipo.

E, infelizmente, nada posso fazer, além de escrever.

Há outro tópico, que ela pincela, quando diz que o comando no serviço público é feito por pessoas que não tem como objetivo a melhora do serviço, mas sim a melhor remuneração e posição nos cargos.

Isso, quando, não enveredam para a roubalheira!

Sabemos perfeitamente que o serviço público é um feudo.

Como tal, quem lá está, seja funcionário concursado ou nomeado, tem um grande poder decisório.

Mesmo que seja desconhecido por eles ou não, eles têm um grande poder.

Se, realmente, houvesse uma determinação de cada um deles em traduzir este poder na melhoria do serviço público, teríamos um atendimento muito melhor.

Ao contrário, a maior parte dos que lá estão, com honrosas exceções, torna o serviço público de baixa qualidade.

Ouço alguns dizerem que falta-lhes motivação.

Que são desprestigiados.

Talvez tenham razão, mas, penso, que quando se quer, se faz.

Daí que, na tentativa de melhorar essa qualidade, os gestores públicos que estão engessados pela legislação do funcionalismo público, de uma forma ou de outra, optam para contratarem os terceirizados.

Mas, que acabam caindo na mesma esparrela.

Finalmente, ela arremata bem: “O Brasil precisava começar tudo de novo.”

Está certa.

Por outro lado, outra amiga, Carmen Lucia Nagel Bragança, teceu outro ponto de vista, igualmente importante:

“No meu entendimento, as grandes empresas (lobby CNI) querem se livrar dos custos trabalhistas, que ficarão com as prestadoras de serviços. Como resultado: desemprego em massa; crescimento do número de CNPJs - micro empresas individuais - com garantia de recolhimento ao fisco, mas sem direitos trabalhistas; ampliação da cadeia das relações trabalhistas que determina a queda do valor dos salários. Mais uma vez, os arcaicos "modelos mentais" sobre relação de trabalho, herdados das relações escravistas, desconectam as empresas da concepção de organização do futuro, com fundamentos na valorização da pessoa e superação da visão instrumental do trabalho.”

Ela está correta quando afirma que as empresas querem se livrar dos custos trabalhistas.

Querem mesmo.

E não é sem razão.

Hoje, por exemplo, uma empresa sem empregados, se precisar contratar um funcionário, terá que contratar 2.

Sim, pois, há tanto penduricalho legal sobre o funcionário, que para que o funcionário possa trabalhar, há a necessidade de outro para cumprir as todas as obrigações mensais.

Senão, vejamos o básico:

Elaboração e pagamento de folha de pagamento, Elaboração e pagamento de guia de INSS; Elaboração e pagamento de guia de FGTS; Elaboração e pagamento de DARF de Imposto de Renda Retido na Fonte; Aquisição e disponibilização de vale transporte; Aquisição e disponibilização de vale refeição; Pagamento de seguro de vida; Pagamento de convenio medico; Elaboração da declaração de RAIS, etc. e tal.

É muita coisa.

E custa!

Hoje, para R$1,00 pago a um funcionário há custo adicional de outro R$1,00 para custear as obrigações trabalhistas.

Ao passo que com a terceirização da PJ, é reduzido as obrigações e custos.

Entretanto, ela está certa quanto a queda salarial.

Mas, isso não é culpa do sistema alternativo.

Trata-se aplicação da lei de mercado.

Com a multiplicação de diplomas universitários, há mais oferta que demanda.

Hoje, um profissional de excelente qualidade é trocado por um profissional de qualidade inferior, por duas razões básicas:

A primeira e quase decisiva.

O profissional de baixa qualidade se contenta com salários baixos.

Até porque, na sua origem, já estava habituado a ganhar pouco.

Essa atitude agrada o empresário.

Que quer reduzir seu custo para auferir mais lucro.

A segunda é que, pelo mesmo valor de um profissional de excelente qualidade, o empresário prefere contratar 2 ou 3 profissionais de qualidade inferior, pelo mesmo custo ou até menos.

Seu raciocínio se baseia no fato de que seu serviço prestado embora perca na qualidade, ganha na quantidade de escravos.

Afinal, ele acredita que seus clientes não prezam pela aquisição de serviço de qualidade.

Daí que os PROCONs estão entulhados de reclamação, que muitas vezes acabam em nada, pois grande parte do consumidor não está nem ai pelos seus direitos. Ou nem sabe como se defender. Mas, é outra historia.

E ai, novamente, vejo que a solução está na mudança radical na forma de agir e pensar de nós brasileiros, como bem disse a Dalva.

Se quisermos conviver com o que acontece no resto do mundo civilizado, temos que acender a condição de cidadãos.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Terceirização de mão de obra em votação

Está em votação no Congresso a legislação que trata da terceirização de mão de obra.

Há duas vertentes básicas nessa questão.

A primeira vertente é essencialmente de cunho trabalhista.

A segunda vertente é de cunho operacional.

Na primeira vertente, não deixa de ser uma forma de quebrar a legislação trabalhista.

A tal da CLT.

Que de fato, deveria ser flexibilizada.

Mas ninguém tem coragem de mexer.

Sob minha ótica, a CLT deveria valer para salários de até 10 Salários Mínimos.

A partir desse valor, deveria haver flexibilização.

Como já vem sendo feita em muitas empresas, através da terceirização do trabalhador pela chamada contratação por PJ.

PJ significa que um empregado constitui uma empresa para receber a remuneração combinada pela prestação de serviço para a empresa que trabalha.

Não lhe é devido férias, 13º, FGTS.

A terceirização vem consolidar esse tipo de contratação.

Na segunda vertente, em especial no serviço público, adotou-se a contratação de empresas para prestar serviços que funcionários públicos fariam.

Essa foi a solução encontrada para driblar as amarras da legislação trabalhista do servidor público, que são mais fortes que a CLT.

O engessamento trabalhista do funcionário público começa com a contratação, que exige todo um processo de seleção.

Uma vez contratado, para que o servidor público seja demitido há necessidade de todo um processo justificado e com ampla defesa do demissionário.

Mesmo que seu desempenho seja sofrível, nunca será demitido.

No máximo será encostado.

Nem mesmo quando houver necessidade do estado enxugar seus quadros, a demissão é tabu.

Ou seja, uma vez ingresso no serviço público, o funcionário ficará para sempre.

Isso torna difícil a mobilidade operacional.

Outro ponto foi a equiparação salarial dos funcionários públicos por cima.

Há 30 anos atrás o salário médio do servidor público era baixo.

As diversas categorias foram buscando equiparação e elevou essa média.

Hoje, muitos têm salários superiores aos da iniciativa privada.

A solução da terceirização traz a facilidade na contratação, no trato salarial e na demissão do funcionário, que em geral estará sob a égide da CLT.


Rei morto, rei posto!

Vi no noticiário que Vicente Cândido, deputado federal do PT paulista, e Sibá Machado, do PT- Acre, procuraram Joaquim Levy para pedir que os bancos públicos continuem patrocinando o clube das empreiteiras afundadas na operação Lava Jato.
Logico, eram empresas que beneficiaram os cofres do PT e de muitos correligionários que enriqueceram.
Não concordo com isso.
Que quebrem! 
Ha outras empreiteiras para substitui-los.
Rei morto, rei posto!
Aliás, a saída deles proporcionará ao governo uma sadia oxigenação nos contratos, possibilitando redução nos preços.
Além de abrir oportunidade para quem quer trabalhar sem roubar.
O que não ocorria, graças ao esquema existente.

domingo, 5 de abril de 2015

A ilusão do combate ao crime

Li uma matéria que aborda a questão da pena de morte em Bali, na Indonésia.
Sim, aquele pais conhecido como o Éden no mundo.
E que também, recentemente, foi morto um traficante de drogas, o brasileiro Marcos Archer.
Li
, também, à época do fato, muitos comentários de pessoas que acreditavam que se a mesma pena de morte aplicada em Bali, fosse aplicada por estas bandas, seria a panaceia dos nossos males.
Lamento informar.
A pena de morte não inibe a venda de drogas. 
Ao contrario, alimenta, isto sim, a corrupção.
Muitos não sabem e confesso que também não sabia, ate ler as matérias de jornalistas de todo mundo, que la em Bali ha um enorme esquema de corrupção envolvendo advogados e a policia.

Se você tiver dinheiro...
Você escapa da prisão!
E até da pena de morte!
Ou seja, toda aquela imagem, que muitos acreditaram fossem autenticas...
Era apenas o resultado de um negócio mal resolvido.
Um recado para os que relutassem a pagar o preço da corrupção.
Marcos Archer, o brasileiro morto, so o foi porque ele não conseguiu levantar a tempo R$1 milhão com a venda do apartamento no Rio.
Esse seria o preço estabelecido para aplacar a ira dos deuses indonésios.
Portanto, antes de se pensar em qualquer solução por aqui, nunca devemos esquecer que o mal da corrupção nos assola aqui também!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

May day! May day!

Minha paixão pela aviação vem desde criança.
Sempre quis ser piloto de avião.
Entretanto, minha mãe se opunha ferozmente.
Seu irmão caçula, que era militar da aeronáutica, morreu aos vinte anos de idade, em um lamentável desastre aéreo.
Esse trauma familiar me impediu de ingressar na aviação.

O tempo passou, até que, finalmente, tive condições de adquirir um ultraleve da Microleve.
Com dez horas de treino já estava habilitado a voar solo.
Meu furor para desvendar os céus era tanto que voava todo sábado e domingo.

Mas, quase vi encerrar-se minhas aventuras, quando sofri a primeira pane.
Sobrevoava uma pista abandonada, de terra batida, que fora construída na década de 70/80 pelo frigorifico Eder, em Itapecerica da Serra.
De repente, o motor perde potência.
Fiquei apavorado.
Não havia feito adequadamente o treinamento para pouso de emergência.
Minha primeira reação foi tentar manter a aeronave voando.
Entretanto, com motor em baixa rotação, não havia empuxo suficiente para manter o ultraleve voando.
Como a velocidade cruzeiro desse aparelho é baixa, por volta de 60 km por hora, qualquer redução de velocidade leva ao estol.
Foi o que aconteceu.
Em poucos segundos estava caindo sobre a pista.
Como estava voando só e a asa tinha uma boa área aerodinâmica, o estol foi suave.
Nos últimos segundos tentei corrigir a atitude de voo, movimentando o manche para frente, pensando em ganhar um pouco de velocidade e conseguir fazer um pouso, mas era tarde.
O avião caiu no solo.
Rapidamente toquei-me para me examinar e verificar se não havia algum ferimento.
Estava tudo em ordem.
Desci da aeronave.
Um pouco assustado e chateado com a situação, percebi que o trem de aterrisagem estava com uma das rodas tortas.
Fui caminhando até uma escola próxima e consegui falar por telefone com meus amigos do São Paulo Ultraleve Clube, o SPUC, solicitando socorro.
O SPUC ficava às margens da represa Guarapiranga.
Tinha uma boa infraestrutura.
Havia uma longa pista em grama, hangares e uma equipe de mecânicos que faziam a manutenção periódica dos diversos ultraleves que lá ficavam.
Em pouco minutos chegou uma frota de ultraleves para meu resgate.
O mecânico verificou que o filtro de ar estava encharcado de gasolina, que impedia a combustão por falta de ar.

Daquele dia em diante me submeti a um intensivo treinamento para pouso sem motor.
Um dos ensinamentos é voar sempre procurando um local para pouso.
Como o ultraleve precisa de pista curta era fácil identificar um local para pouso.
Estava bem treinado.

Foi quando um domingo, minha mulher Cristina, que voou poucas vezes comigo, sentindo confiança, naquele dia resolveu me acompanhar.
Voamos por toda a represa Guarapiranga, sobrevoando as margens em voos rasantes.
Como ainda havia combustível suficiente, resolvi voar até uma pista na represa Billings.
Como o trajeto era distante, decidi subir a uma altitude mais segura.
Quando sobrevoava a Billings, o motor perdeu potência.
Minha reação foi imediata.
Decidi fazer um pouso de emergência.
Lembrei que havia sobrevoado uma área às margens da Billings, que havia elegido como local para um eventual pouso.
Como estava com altitude suficiente para planeio, não tive problemas para voar até o local eleito.
Para voar de ultraleve usava-se um capacete.
O meu capacete e do passageiro estavam ligados para comunicação.
Falei para Cristina:
- May day! May day!
Ela não entendeu e riu, acreditando que brincava.
Para continuar no clima de descontração, disse:
- Houston, we have a problem.
Ela, um pouco preocupada, perguntou o que acontecia.
Afinal, tinha feito uma manobra de retorno.
Falei que estávamos com problemas no motor.
Ela perguntou se conseguiríamos voar até o SPUC.
Respondi que não.
Disse que teríamos que fazer um pouso de emergência ali mesmo.
Ela procurou me acalmar, dizendo que eu sabia o que fazer e que estava treinado.
Ao chegar ao local, fiz dois círculos sobre o terreno para perder altitude e, finalmente, fiz o pouso dentro das normas.
Olhei para ela e rimos de tanta tensão.
Descemos.
Pensei.
Escapamos de morrer.  
Foi quando comecei a tremer de nervoso.
Lembrei-me que meus filhos eram pequenos e poderiam ter ficado órfãos.
Abracei minha mulher emocionado.
Ela disse que fiz um pouso tranquilo.
Concordei e acrescentei que, felizmente, não estávamos machucados e que não havia nenhum dano na aeronave.
Ainda desorientado, perguntei:
- E agora? O que faremos no meio do mato?
De repente, surgem muitas crianças e depois alguns adultos, vindo de diversas direções, correndo em nossa direção.
Chegando próximo elas pararam, afastadas um pouco do ultraleve.
Nos olhavam assustados.
Minha mulher comentou comigo, em voz baixa:
- Acho que eles pensam que somos extra terrestres.
Rimos.
Perguntei onde havia um telefone.
Um deles me levou até um bar próximo, enquanto outros levavam minha mulher para tomar agua na casa de um dos moradores, enquanto outros se prontificaram a tomar conta do ultraleve.
Novamente solicitei resgate do SPUC.
Depois de algum tempo chegaram para meu alivio.

Esse fato serviu como uma grande lição.
Sem treinamento teria morrido.
Sobrevivemos a essa experiência porque estava bem treinado.
Minhas reações não exigiram pensar no que fazer.
Foram automáticas.


Moto perpetuo!

Fiquei intrigado com esse vídeo.
Assista antes de continuar lendo.




Pelos meus parcos conhecimentos de física, que se exauriram com o tempo, tenho uma vaga lembrança de que não há moto perpetuo.
Mas, vendo o vídeo, tenho a nítida impressão que isso é um moto perpetuo!
Por outro lado, no trajeto há atrito.
Isso fará que em um determinado momento, haja paralisação.
Entretanto, por um paradoxo do sistema, ele é retroalimentado a cada momento, anulando a força do atrito.
Resumindo. Não consigo afirmar se para ou não.
Meu feeling acredita que para!
Perai, vou assistir de novo.
Aha!
Acho que desvendei a questão.
Deu-me o insight.
A peça que se coloca no sistema é uma bateria!
Portanto tem vida útil.
Conclusão:
Quando acabar a carga da bateria, a peça para!!!!
Ufa!
A física que aprendi na escola....ainda vale!

O certo era meu pai!

Certa vez, ha muitos anos atrás, quando vieram denunciar a um amigo empresário que funcionários da alta cúpula estavam lhe roubando, este, com ar blasé, e para surpresa de todos, respondeu:

- Não tem problema. Enquanto eles me proporcionarem ganhar o que ganho, não me importo com isso.

Confesso que fiquei atordoado.
Nunca imaginei que alguém pudesse pensar assim.
Se fosse comigo, apuraria os fatos e, sumariamente, os demitiria.
Como já o fiz no passado, quando era empresário.

E na sequencia fiquei indignado.
Não só com a atitude dos seus funcionários.
Mas, principalmente, com atitude dele.

Entretanto, ao longo da vida, fui observando que aquela reação, que aquele amigo empresário teve, era mais comum do que me parecia ser.  

As pessoas têm até um dogma:
Não se mexe em time que está ganhando!

Leio na imprensa que Dilma tem apoio de apenas 12% da população.
Que sua taxa de rejeição é altíssima.
Muitos querem seu impeachment!!

Mas, faz só 5 meses que ela foi eleita!!!!

O que mudou?
Mudou que o mundo maravilhoso de Dilma e do PT acabou.
O pão e circo que inebriava o povo....
E não só o povo...
Muitos empresários também, de alguma forma, participaram da festa.
Todos acordaram com uma grande ressaca.
A fatura chegou!

Porque na hora de pagar a conta...
Fica todo mundo indignado.
Todo mundo alardeia que roubou-se como nunca antes haviam roubado neste pais.
Mas, perai!
Concordo que a maioria é cega.
Mas, muitos viram...
Alguns até participaram também!
E todos ficaram calados.

O fato é que se tivéssemos agido combatendo a corrupção, talvez não vivêssemos esse drama econômico e político que presenciamos hoje.
Quando houve o mensalão, o que fizemos?
Nada!
Toleramos.
Por que?
Porque era uma época de fartura!
Já naquela época lembrava daquela frase que ecoa em meus ouvidos até hoje:
- “Não tem problema. Enquanto eles me proporcionarem ganhar o que ganho, não me importo com isso”.

Depois, por conta e obra do ministro do STF Joaquim Barbosa houve uma reação, que de certa forma fez-me recordar de uma frase.
Não a do meu amigo empresário.
Mas a de meu pai que me ensinava:
Não transija com o crime. Um dia ele pode voltar-se contra você.
O certo era meu pai!




domingo, 29 de março de 2015

Apertem os cintos.....O piloto soy yo!

Eram os idos anos da década de 90.
Naquelas férias de julho, havia programado levar minha mulher e filhos para conhecer o México.
Primeiro conhecemos a cidade do México.
Depois de alguns dias voamos para Cancun onde ficamos num hotel maravilhoso, que se chamava Camino Real.
Hoje tem outro nome.
Localizava-se ao norte, na esquina da ilha de Cancun, na chamada zona hoteleira.
Depois de alguns dias em Cancun, decidimos conhecer a ilha de Cozumel.
Fomos ate Playa Del Carmen para fazer a travessia com um aliscafo.
Aliscafo é um barco que tem asas ligadas ao casco.
Isso permite a emergência da totalidade do casco, provocando uma redução significativa na fricção com a água e possibilitando alcançar uma elevada velocidade.
Ficamos por la alguns dias.
No retorno a Cancun, decidi voltar de avião.
Tinha bilhetes da Aero Cozumel.
Chegando ao aeroporto de Cozumel fui até o balcão da companhia.
A atendente no balcão explicou que o avião disponível era pequeno e que não haveria lugar para todos naquele dia.
Como já havíamos deixado o hotel, insisti que precisávamos voltar naquele dia.
Disse que poderia ir na cabine do piloto.
Ela respondeu que não poderia, pois não era piloto.
Respondi que sim, que era piloto.
Não estava mentindo.
Realmente estava em treinamento para ser piloto....de ultraleve.
Já havia comprado um aparelho da Microleve e tinha tido algumas aulas de decolagem, navegação e pouso, com meu amigo e instrutor, o cantor da jovem guarda Dudu França.
Mas, ainda não estava brevetado.
Soq eu isso eu não revelei.
Ela ficou de verificar a possibilidade.
Voltou em seguida com a informação que poderíamos embarcar.
Eu iria na cabine do piloto e meu familiares ficariam junto com os demais passageiros.
Em poucos minutos fomos autorizados a fazer o embarque.
Tivemos que ir caminhando ate a aeronave.
Éramos um total de 10 passageiros e um piloto.
Era um avião antigo, com 3 motores a hélice.
Dois motores ficavam nas asas e um terceiro no leme.
Nunca tinha visto esse tipo de avião.
A entrada era através de portas laterais, como se fosse um carro.
Ao me aproximar do avião o piloto me chamou para que embarcasse pela porta que dava acesso a cabine.
Todos acomodados, o avião decolou.
O piloto ate então estava calado, cumprindo o ritual.
De repente, perguntou-me se era piloto.
Respondi com um sim, com a boca seca.
Ele disse, então, para que eu assumisse o controle da aeronave.
Eu falei no meu portunhol que não conhecia aquela aeronave.
Mas, ele insistiu, mostrando-me uma determinada direção para nos dirigirmos ate Cancun.
Aquiesci.
O piloto me orientou que deveria manter a aeronave na rota.
Assumi o comando.
Estava eufórico!
Agarrei o manche com a mão firme.
Não havia necessidade, pois não havia nada a fazer.
O avião estava estabilizado e na rota.
Durante o vôo não precisei fazer qualquer correção na rota.
O vôo levou uns quinze minutos.
Foram os mais longos da minha vida.
Foi quando avistei abaixo o aeroporto de Cancun, a minha direita.
O piloto disse que eu fizesse as manobras para pouso.
Comecei a suar frio.
Disse para o piloto que ele acertasse os manetes do motor para o pouso, enquanto eu fazia os procedimentos de pouso.
Ele concordou.
Enquanto ele reduzia a potencia dos motores, eu acionei o manche para a posição de descida e fazia a curva à direita para alinhar o avião com a pista.
Sabia fazer esses procedimentos.
Foi quando o piloto disse calmamente que estávamos numa descida muito acentuada.
Eu argumentei que era assim que fazia com o ultraleve, para forçar o contato com a pista.
Ele disse que se continuasse naquela posição iríamos chocar no chão. 
Meu filho Rodrigo, que a tudo acompanhava atentamente, ao ouvir isso, ficou assustado.
Pedia que eu não pilotasse mais o avião, dizendo que eu não era piloto.
Pedi a ele calma, que estava fazendo tudo certo.
Mas, diante da insistência e percebendo o risco que poderia expor a todos, larguei a mão do manche e pedi ao piloto que assumisse o comando total.
Mesmo porque estávamos na final do pouso.
Entretanto, com esse meu procedimento, fizemos o pouso próximo a cabeceira da pista.
O piloto disse que pousamos muito antes do ponto de contato. Como a pista era longa ele resolveu brincar.
Ao tocar o trem de pouso sob as asas, ele manteve a aeronave com a bequilha dianteira elevada, sem tocar no chão, puxando o manche.
Enquanto cantava alegremente uma musica cucaracha mexicana.
Ai eu fiquei assustado.
Mas, tudo bem, chegamos tranqüilos.
Porque conto isso?
Porque, diferentemente daquilo que imaginamos, os pilotos são gente como a gente.
Estão sujeitos a todas as emoções que temos.
No caso, houve sim uma dose dupla de irresponsabilidade.
Minha e dele.
Ele quis testar minhas habilidades.
Embora em momento algum ele tenha solicitado minha identificação como piloto.
Ate porque não a teria.
Eu quis provar que era piloto, sem o se-lo.
Embora acreditasse que o piloto estivesse o tempo todo monitorando meus procedimentos, houve um risco.

Não foi desta vez que houve um acidente aéreo.


Imagem do modelo do avião