quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

No pais da impunidade, o crime compensa.



Quando pensamos em crime, de imediato, nos vem a cabeça aquele sujeito que nos assalta, descaradamente, no meio da rua, de preferencia com moto.
Evidente que há diversas modalidades de crimes, que afetam, diretamente, a vitima.
Todos praticados por pessoas comuns. 
Alguns desses criminosos são presos, condenados e ficam algum tempo encarcerado.
Para esses criminosos, muita gente partilha com a ideia de autoria do falecido delegado carioca Sivuca, que diz:
"Bandido bom é bandido morto."
Sivuca completava seu pensamento simplista com:
"E enterrado em pé, para não ocupar muito espaço."  
Eram tempos da ditadura militar e do esquadrão da morte, que matou milhares de bandidos sem julgamentos e de forma sumaria.
Entretanto, essa forma de combate ao crime não acabou com a criminalidade.
Na verdade, ela só aumentou e tornou  os criminosos mais violentos.
Ate em países em que a pena de morte era praticada legalmente, essa penalidade não fez com que houvesse a redução da criminalidade.
Mas, ate hoje, esse pensamento doentio é repetido por vários políticos, para demonstrar a seu eleitorado, sua indignação contra o crime.
E tem muitos adeptos que pensam igual.
Entretanto, esse conceito só vale para os bandidos chamados "pés de chinelo".
Os integrantes do crime do colarinho branco não são vistos, por grande parte da sociedade, como bandidos.
Mas, estes causam tão ou mais mal ao cidadão, que não se apercebe, pois esses crimes os atingem de forma indireta.
Em geral é dinheiro publico roubado pela corrupção, que poderiam ser utilizados em benfeitorias, que melhorariam a vida do cidadão comum. 
Por não ser uma perda pessoal, isso não nos sensibiliza.
Um ou outro torce o nariz indignado e fica por isso. 
Mas, ha outros roubos, como aqueles praticados contra aposentados ou fundo de pensão para futuros aposentados, que são praticados e muitas vezes os criminosos saem ilesos.
E não causam indignação relevantes a ponto de autoridades e políticos temerem uma forte reação popular.
A própria Justiça os trata diferentemente.
As razões para isso, são, no minimo, suspeitas de mais corrupção.
Ou, se formos condescendentes, as razões são porque os que participam do julgamento não os considerem violentos e podem aplicar penas mais brandas ou mesmo inocenta-los, por faltas de provas mais contundentes que a própria evidencia dos fatos, que por si deveria ser suficiente. 
Basta ver os processos contra aqueles que roubaram os aposentados, por fraudes praticadas na cara da autoridade competente, cujos autores continuam livres, leves e soltos.
Como o governo indenizou, rapidamente, a maioria dos aposentados, o problema, para eles, deixou de existir.
A vida que segue.
No caso do banco Master, que foi um golpe contra fundos de pensão, e que, certamente, aconteceu por corrupção dos responsáveis por gerir esses fundos, junto com políticos, que tem ascendência sobres esse gestores, seja por indicação politica ou por interesses escusos, pelo caminhar das investigações será mais um crime que ficará impune.
Basta ver a situação do dono do banco,  que, quando estava na ativa, soube cultivar bons relacionamentos, que podem lhe garantir a impunidade, seja por facilitação à sua fuga, seja por julgamento que conclua por sua inocência. 
Já assistimos muitos casos semelhantes, no passado.
Não pensem que é só por aqui que isso acontece.
No mundo todo, quem tem um pouco mais de poder, vira cidadão acima de qualquer suspeita.
No Brasil, apesar de haver muita gente presa, o que temos é um alto índice de impunidade para os do andar de cima.
Para eles, vale outra máxima:
"O crime compensa". 


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