Aquilo que se denominou bolsonarismo não é um projeto politico de Jair Bolsonaro, como alguns acreditam.
Ele não tem a minima condição para desenvolver um pensamento politico consistente, como tiveram outros políticos, tanto aqui no Brasil como no mundo afora.
Olhando profundamente no que se intitulou bolsonarismo, veremos que nada mais é do que o pensamento conservador, da direita brasileira, piorado.
A direita, que sempre existiu e estava quieta em seu canto, como consequência da redemocratização, depois de anos de ditadura militar.
A nova direita, vestida de bolsonarismo, veio acompanhado do negacionismo à ciência, do cancelamento ao jornalismo tradicional, substituindo pelo uso intensivo das mídias sociais e da mistura da religião com a politica.
Ou seja, um retorno á Idade Media, quando a religião católica dominava a politica, impondo seus conceitos e impedindo qualquer manifestação cientifica, que contrariasse os dogmas da Igreja.
Desta vez não é a religião católica, mas são os evangélicos, que através do neo pentecostalismo, que já vinham se infiltrando nos quadros políticos, em especial no Congresso, onde foi criada a bancada evangélica, com Jair Bolsonaro ganharam mais espaço na politica nacional.
O cancelamento do jornalismo, associado ao uso prevalecente das mídias sociais, fez com que se difundisse, em larga escala, desinformações, mentiras, cancelamentos de pessoas e empresas, com destruição de reputações, que demonstrassem não estarem firmemente com Jair Bolsonaro.
Isso aumentou o "nós" contra "eles", que a esquerda tinha como discurso.
O lado liberal na economia, no bolsonarismo, continuou restrito a visão da desestatização, objetivando resolver a má gestão das empresas estatais, em especial nos governos de esquerda, que não nomeiam diretores reconhecidos no mercado, mas, sim, apaniguados políticos, sem a menor qualificação.
A direita, assim como a esquerda, nunca focaram no mais importante problema da gestão publica brasileira, que é o patrimonialismo de estado.
Este esteve sempre presente, desde o Império, e, originalmente, era praticado pelas empresas privadas, que acumulavam benefícios fiscais, financiamentos públicos privilegiados e até reserva de mercado, pratica essa que trouxe, durante a ditadura militar, redução da produtividade nacional.
Com o aumento da arrecadação fiscal, o patrimonialismo avançou muito em determinadas carreiras do serviço publico, que conseguiram conquistar altos salários e benefícios não compatíveis com que se pratica nas empresas privadas.
A percepção de que o butim fiscal era vantajoso levou os parlamentares a, também, buscarem seu quinhão.
Para agradar o eleitorado, o poder Executivo, junto com o Legislativo, estabeleceram Leis, que preveem diversas situações, que possibilitam a alguns cidadãos comuns o direito de receber isenções e vários tipos de benefícios.
O Poder Judiciário, que não quis ficar de fora das concessões de benesses,
estendeu direitos, custeados pelo Orçamento Publico, a outro tanto numero de pessoas, que foram provoca-lo, mesmo quando não havia previsão em Leis.
Assim, o estado brasileiro, em todas as esferas, é sugado pelo patrimonialismo de estado generalizado.
Não há Orçamento Publico que aguente!
Voltando a politica, havia um certo desconforto dos políticos de direita, que não queriam mais se expor e serem associados ao governo militar, do qual participaram ativamente.
Preferiram o recolhimento.
Dai que a esquerda, através do PT, soube aproveitar essa acomodação oportunística e, com Lula a frente, conseguiu chegar a presidência da republica em 2002.
Embora o governo Lula tenha sido bem avaliado em sua gestão, que trouxe melhoras reais na economia, enveredou para a corrupção, através do Mensalão e do Petrolão, fazendo com que o Supremo condenasse à prisão vários políticos, de diversos partidos.
Nesse momento, frente ao tamanho da roubalheira, nunca vista antes neste pais, surgiu, na opinião publica, uma indignação generalizada contra todos os políticos.
A politica brasileira encontrava-se num labirinto.
O povo, desesperado para encontrar uma solução, passou a acreditar que um politico "outsider", que não teria os vícios dos políticos tradicionais, poderia colocar o Brasil nos trilhos novamente.
Estava aberta caminho para o surgimento de um "outsider".
Penso que não é porque tivemos uma leva de maus políticos, que agiram contra os princípios de uma boa politica, e que levou o Brasil ao patrimonialismo de estado exacerbado, que um "outsider" seria melhor.
Na minha opinião, a politica tem que ser exercida por bons políticos profissionais.
Entendo que, hoje, é difícil encontrar esses bons políticos.
Mas, sou realista o suficiente para não almejar um politico perfeito.
Ninguém é perfeito.
Mas, é possível encontrar bons políticos
Eles estão por ai.
Precisamos é procura-los, encontra-los, leva-los aos partidos políticos e os elegermos.
O fato é que, no passado, tivemos políticos melhores do que hoje.
Por outro lado, com o processo da Lava Jato, que condenou e prendeu o então ex-presidente Lula, aquela indignação generalizada, fez com que a opinião publica focasse em Lula e no PT, como os responsáveis pela roubalheira.
Assim nasceu o anti petismo.
Some-se a tudo isso o fato do governo Dilma ter se enfraquecido, pela ma gestão econômica, que acabou levando-a um impeachment.
Aquele sentimento a favor de um "outsider" e o anti petismo acionou, de vez, o despertador, que acordou a direita, desta vez personificada na figura de Jair Bolsonaro, que chamava atenção por parecer um "outsider" e pelo seu histrionismo no embate contra o PT dentro da Câmara Federal.
Esse entusiasmo em Jair Bolsonaro cegou a direita a tal ponto que o bolsonarismo virar uma seita religiosa, sem contestação.
Para mim, é inconcebível como pessoas, que considero com um nível intelectual, que me permite te-las próximas, endeusam Jair Bolsonaro.
Por favor, busquem outras lideranças de direita, pois o Brasil precisa de bons lideres, sejam de direita, sejam de esquerda, para que ideias possam ser discutidas com racionalidade e possamos realmente melhorar o Brasil.
Depende de nosso voto!
Muito cirúrgica o recorte dessa analise, que coloca em evidencia e em urgência a necessidade de renovar, sem os resquícios da febre irracional do bolsonarismo e do populismo desmedido do PT.
ResponderExcluirCom certeza você tem toda razão... O Jair Bolsonaro e principalmente o Eduardo Bolsonaro são dois ajumentados que estão no leito da morte politica. O JB estaria com a eleição ganha se não fosse o negacionismo em quase tudo que dependia de posicionamento firme com o mundo inteiro estava passando em virtude da pandemia e outras trapalhadas. Agora os burros já foram para o brejo. Enquanto isso o LULA compra votos do povão em nome de programas sociais e está transformando seus votantes no povo mais preguiçoso do mundo.🤣 ROBERTO TEIXEIRA DA SILVA
ResponderExcluirMuito bem exposto.
ResponderExcluirEu ontem assisti Apocalipse Tropical, que havia mencionado para vc. Ficou MUITO claro pra mim que foi um movimento religioso que sustentou toda a vitória. Se não viu, recomendo.
Fiquei boquiaberta pq quem mandou no país foi o Malafaia. Há cenas horripilantes de gente rezando no salão da Câmara. Fizeram o povo acreditar que ele era o Messias.
Lógico que os ricos e similares apoiaram pq eles, em qualquer governo, precisam defender seus interesses. Mas foi o malfadado fanatismo religioso que ganhou. É documentário. Não tem cenas inventadas. É uma paulada na cabeça. Até nos discursos, qdo JB abre a boca ele depois olha para o Malafaia como se dissesse: falei direitinho?
E concluindo, isso está impregnado no povão. Esquerda é o diabo, JB é ungido por Deus. Estou excluindo a elite que sempre teve e terá por que ficar com quem está no Poder, seja de que cor for.
Espero que seu artigo repercuta bastante. Abs e bom dia.
Muito bem colocado certos pontos. Primeiro: o Bolsonarismo foi um fenômeno sentimental, resultado da ignorância politica.
ResponderExcluirQualquer tentativa de misturar religião e política termina em desastre. Vejam os países muçulmanos onde as ditaduras são implacáveis, a começar pelo ex. do Irã.
A direita brasileira é uma vergonha, um fracasso. Enquanto estão se dando bem, tudo bem. O slogan do fracasso.