terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A religião e a politica




No Brasil, o retorno da religião à politica começou com os evangélicos.
Não que os católicos não participassem.
Sempre estiveram presentes, mas nos bastidores.
Respeitavam o estado laico, ainda que nas instituições publicas, se vê o crucifixo pregado nas paredes dos ambientes principais, simbolo do catolicismo.
O estado laico não foi invenção de ateus ou anti cristãos, mas floresceu entre os próprios cristãos, a partir do iluminismo, da revolução francesa e o surgimento da republica, em substituição à monarquia, através de um processo que buscava separar o poder politico da influencia direta da religião.
A motivação para a implementação do estado laico, que, na época, tinha a predominância da igreja católica, foi baseada na necessidade de se reduzir a intolerância religiosa, presente nos processos de inquisição contra quem não professasse o catolicismo, e abusos do poder da igreja, nas decisões politicas das monarquias.
A era do Renascimento, trouxe junto a ideia de  liberdade de crença e a igualdade de todos os cidadãos, perante a Lei.
Mas, antes, Lutero, um monge católico, indignado com os abusos praticados pelas lideranças religiosas católicas e com a venda de indulgencias, 
pretendeu reformar a igreja, mas acabou por se opor a ela e a criar o protestantismo, de onde derivaram as demais igrejas conhecidas como evangélicas.
Essa foi a primeira ruptura significativa contra o domínio da igreja católica na sociedade medieval.
No Brasil, havia o predomínio da religião católica, mas em função de um trabalho bem feito pelos neo pentecostais, houve uma grande migração para as diversas seitas cristãs.
A grande sacada dos neo pentecostais foi que entenderam a necessidade ávida do povo por acessar benefícios divinos, como ganhar dinheiro e ter uma vida de prosperidade, enquanto estão vivos, sem precisar esperar para recebe-los apos a morte, como preconiza a igreja católica. 
Isso tudo sem invalidar que receberão os mesmos benefícios apos a morte, como preceitua a religião católica, tornando-se, assim, um bônus a mais por se tornarem evangélicos. 
A igreja católica, incomodada com essa migração, através de um dos seus membros, o padre australiano Rob Calea, criou o jogo pela internet chamado MetaSaint. 
Esse jogo foi criado com objetivo de atingir crianças e adolescentes ate 13 anos, faixa de idade ideal para implantar na cabeça das crianças qualquer ideia, que, dependendo da intensidade, ficará solidificada para sempre.
Esse método de doutrinação foi utilizado, de forma perversa, pelos nazistas, para atingir a juventude alemã, com o objetivos de difundir e consolidar o anti semitismo e a idolatria a Hitler.
Outros governos como o cubano, o norte coreano e o venezuelano, utilizam ate hoje como método para doutrinar seus jovens na ideologia politica que praticam.  
Na religião, são os islâmicos. que utilizam o mesmo método, para perpetuar seus dogmas, em especial contra as mulheres. 
O MetaSaint trata-se de um jogo ambientado em eventos bíblicos, baseado na cultura, na historia e nos valores da igreja cristã, portanto, embora tenha sido desenhado por um membro da igreja católica, atende todas a matizes cristãs.
No Brasil, ha anos, os evangélicos fazem algo semelhante.
A partir da aquisição da TV Record pelo bispo evangélico Edir Macedo, esta passou a produzir novelas baseadas em eventos bíblicos, objetivando a mesma doutrinação religiosa. 
Paralelamente a essa doutrinação, ingressaram na politica fundando o partido Republicano, com o objetivo de chegar à presidência da republica.
Embora ainda não tenham atingido essa meta, através de vários partidos políticos, onde se filiaram, conseguiram ocupar o poder Legislativo, onde tem uma bancada evangélica poderosa.
O problema desse ingresso na politica é que misturam seus rígidos conceitos religiosos com os políticos, como fazia a igreja católica na Idade Media, e tentam, aos poucos, acabar com o estado laico.
O Irã, que virou um estado teocrático islâmico, nos mostra o quanto essa pratica é perigosa e deve ser evitada.
Muitos não enxergam essa equivalência, pois pensam que  quando é da gente é bom. 
Quando é dos outros é ruim.
No Brasil, não apenas entre os evangélicos, mas na população em geral, houve uma adesão ao pensamento inquisidor, centrado na crença de suas ideologias politicas, que levam a pessoa a um comportamento de cancelamento, quando não gostam de pessoas ou empresas identificadas por ideologias diferentes da que acreditam.
Esse retrocesso intelectual, que abomino, está a um passo de acontecer o mesmo com a religião, para nos remeter, de vez, diretamente para a Idade Media.


4 comentários:

  1. Pois é! Nem quem deveria ajudar o cidadão na fé e elevar Deus, se entendem, imagina com esse bando de larápios no poder! Estou em outra fase da vida! Já entendi que o caminho é do inferno. Vou tentar ficar invisível daqui para frente. Ele já não precisam mais de meu voto. Que a inteligência e a capacidade cognitiva ajude essas novas gerações! Sua analogia é perfeita, porém ninguém vai mudar nada!

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  2. Depois de bolsonaro, peguei ranço de abilolado por religião. Procurem um filme alemão chamado A ONDA. Muito bom. Ah, e vejam o podcast Flow de ontem, com o Renan Santos. Muito boas propostas e ideias, coisas que bolsonaro nunca fez.

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  3. Muito bem escrito, Geraldo. Não podemos retornar à escuridão da Idade Média. Foi a Igreja que sugeriu o Estado laico, diante das inúmeras ações bárbaras que se tomava. Não há pq agora querermos um Estado misturado com religião. Cada um tem o direito de sua fé, mas a fé não pode interferir na lei que rege o todo.

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  4. Gostei do artigo. O Estado laico é uma condição onde Governo e Instituições Religiosas devem agir de forma independente ainda que a Fé possa permear com os valores cristãos as mesmas instituições, sem, no entanto, comandar.
    O mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor, deixou muito claro quando os fariseus quiseram armar-lhe um ardil. Eles perguntaram a Jesus com dupla intenção se era lícito pagar os impostos ao
    César, ao Império Romano. E Jesús pulveriza essa elite falsa respondendo: “
    Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
    Houve erros básicos da Igreja Católica ao longo da História que foi infiltrada com tática e cálculo pelo socialismo marxista do qual
    nasceu uma doutrina monstruosa recente que foi a Teologia da Libertação. Minha sogra, que foi secretária da Celam, em Bogotá, ainda na guerra fria, contou-me de pessoas que iam estudar nos países comunistas e circulavam na Celam ao redor dos padres e desse assédio se produziu um evento de muita dor: o do famoso padre guerrilheiro Camilo Torres. Um sacerdote culto, apostólico e bem apresentado que arrastava a juventude e pela má influência, trocou a pregação humilde de Jesus pela crença sanguinária da guerrilha. No seu primeiro confronto com os militares, ainda que levasse uma arma, não a usou e acabou abatido por um soldado do exército colombiano.

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