As estatais sempre estiveram presentes nos governos do Brasil.
E os estados e municípios gostaram tanto da ideia, que criaram suas próprias.
Quando ainda era colonia de Portugal, foi fundada, em 1604, a Casa da Moeda e, em 1663, os Correios.
Quando ainda era colonia de Portugal, foi fundada, em 1604, a Casa da Moeda e, em 1663, os Correios.
Com a vinda da família real portuguesa, que transferiu a sede do governo português para o Brasil, o príncipe regente D. João VI fundou o Banco do Brasil, em 1808.
Durante o Império, foi fundada a Caixa Econômica Federal, em 1861.
Na Republica, na ditadura do governo Vargas foram criadas a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional, em 1941 e a Vale do Rio Doce, em 1942.
Quando Vargas retornou como presidente foi fundada a Petrobras, em 1953, além de plantar, em 1954, a semente para a criação da Eletrobras, que foi, aprovada pelo Congresso em 1961, mas, efetivamente, foi fundada em 1962, no governo de João Goulart.
As estatais foram criadas em consequência de alguns fatores econômicos e políticos.
Sob o aspecto econômico, no passado, não havia empreendedores nacionais com capacidade de investir em grandes negócios.
Os que estavam dispostos a serem empreendedores começaram com pequenos negócios.
A maioria começou com poucos recursos, aproveitando-se de oportunidades, que o mercado consumidor oferecia.
O tipico exemplo foi Matarazzo, um imigrante italiano, que chegou ao Brasil em 1881.
Começou como mascate na região de Sorocaba e percebendo a oportunidade de produzir e vender banha de porco, prosperou e teve uma ascensão empresarial rápida e conseguiu construir um império industrial.
Ha vários outros exemplos.
Como o avô da minha esposa, Niasi Abdo, filho de imigrante libanês que, apos perder o emprego de contador, em 1932, e enfrentando dificuldade para encontrar outro emprego, para manter a família, que recentemente constituíra, começou a vender grampos e redes de cabelo.
Rapidamente expandiu seu negocio, fundando a fabrica NIASI e se tornou um empresario de sucesso no mercado de cosméticos, tendo permanecido como líder do nicho de mercado por anos.
Sob o aspecto politico, durante a ditadura Vargas, este adotou uma postura nacionalista avessa a atração investidores estrangeiros.
Os poucos que se aventuraram por aqui, tentaram fazer investimentos em infraestrutura, mas tiveram perdas, ate com estatizações.
Quem, realmente, entendeu que trazer investidores traria junto desenvolvimento mais acelerado ao Brasil foi o presidente Juscelino Kubitschek, que atraiu industrias multinacionais, tendo como carro chefe o setor automobilístico.
Durante a ditadura militar, que começou em 1964, apesar de ser de direita, adotou a mesma doutrina, abraçada pela esquerda e por Lula, de que a estatização é o melhor modelo para o desenvolvimento do pais.
Assim foram constituídas estatais nas industrias de base, infraestrutura logística e de serviços essenciais, como saneamento e energia elétrica.
Foram fundados dezenas de estatais, sendo as mais conhecidas a Embraer, em 1969, a Telebras em 1972, a Embrapa, em 1973, que foi a estatal que elevou a agricultura brasileira a um patamar, que possibilitou, já alguns anos, que o Brasil virasse o celeiro do mundo e fosse um dos mais importantes componentes do PIB nacional.
Apos o termino da ditadura militar, a centro esquerda, através do PSDB, assumiu um projeto de desestatização no governo Fernando Henrique Cardoso.
O exemplo clássico de sucesso foi a privatização das comunicações.
No passado, para se ter uma linha telefônica fixa era preciso pagar caro.
Os então recentes aparelhos celulares eram custosos.
Com a privatização, surgiram algumas empresas privadas de telefonia, criando uma saudável concorrência.
Assim, já ha algum tempo, você pede a instalação de um telefone fixo e no dia seguinte a linha é instalada gratuitamente.
Os celulares tornaram-se populares e todo mundo tem pelo menos um.
Então, por que não se privatiza tudo aquilo que o governo não precisa administrar?
Embora as estatais tenham cumprido seu papel dentro das expectativas, elas foram o único modelo possível para o desenvolvimento econômico do Brasil, no passado, como foi dito antes.
Mas a partir do final da ditadura e do inicio da Nova Republica, os políticos começaram um processo de tornar as estatais em cabides de emprego e distorcer seus objetivos
Com isso, muitas delas perderam produtividade e começaram a dar prejuízos, como acontece com os Correios, que acumulam um prejuízo bilionário.
Mas, não é só Lula que quer a estatização.
Afinal ha um Congresso com força e poder para obrigar a privatização e reduzir o numero de estatais para o minimo necessário a atender os interesses nacionais.
Só que não ha interesse em faze-lo.
Perderiam suas indicações para ocupar os diversos cargos, cuja unica função é abrigar apadrinhados.
A conclusão que chego é que a maioria da população é a favor das estatais.
Afinal é ela quem elege os políticos, que la estão.
Tem mais.
Os Congressistas criaram a pior das "estatais".
O financiamento publico das campanhas eleitorais que, para ser aceito pela população, diziam que servia para combater a corrupção, que havia com o financiamento privado das eleições.
Na verdade, isso só favoreceu os "donos" de partidos políticos, porque a corrupção continua.
Esses "donos", com esses recursos, dominam os partidos e restringem a possibilidade de novos candidatos.
Observe que são sempre os mesmos, ou os herdeiros dos titulares, que estão na lista de candidatos.
Não ha renovação politica!
Ha bem mais a se falar sobre o tema, como, por exemplo, a Justiça do Trabalho, o TSE, que deveriam ser reestruturados, pois cada um a seu modo, distorcem a democracia.
Graças a essas "estatais" vivemos uma falsa democracia.
Sua análise é procedente, mas ao longo do século 19 e 20, quem manda é o capital privado! Interesses de multinacionais aqui chegaram, se instalaram e controlam seus negócios através de lobbies e sindicatos patronais. Os nacionalistas aprenderam rápido essa dinâmica e também entraram no modelo, um pouco mais agressivos, chamando os governos para facilitarem no empreendedorismo e na corrupção. Aqueles que não entraram na roda, sucumbiram. Hoje com a taxa de juros imposta, aqueles que já tem muito, viram nesse mercado uma forma de elevar o patamar financeiro da indústria e agro. Salve-se quem puder!
ResponderExcluirO artigo nos permite uma perspectiva histórica e uma clara ideia do drama das estatais. O protecionismo que fechava o país a grandes investimentos estrangeiros continua hoje, com o retraimento e complexo de inferioridade dos governos atuais respeito ao seu papel. O governo deve fiscalizar e promover a qualidade de serviços com segurança e preços acessíveis. Todavia, as pessoas do governo, hoje, em todos os poderes, olham as estatais como ilhas da fantasia para empregar agregados, inseguros, deslocados e pessoas chegadas, com mestrado, mas desempregadas. O que se esperar de uma estatal desvirtuada de seus fins. Meu primeiro emprego, junto com dois amigos da escola de engenharia, foi numa estatal. Havia o incentivo de duas manhãs para o mestrado na Poli. Cheguei a um ponto que dizia a mim mesmo: “ prefiro morrer (naturalmente) que seguir neste pântano de medíocres. “Prefiro comer o risco da minha incompetência.” Pedi demissão. Mudei-me para o Rio. Nunca mais voltei para SP. Meus amigos caíram fora. Tinham ideais de vida. José Alves Silva - Eng. Civil
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