quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O poder do mais forte e o coitadismo.



A natureza é implacável.
O mais forte domina e os demais do grupo acatam sua liderança forçada sem reagir.
No ser humano essa regra também vale.
Principalmente quando os humanos viviam em pequenos grupos isolados.
Mesmo havendo a submissão dos "fracos", que, inclusive, defendiam o poder exercido pelo mais forte, surgiram dissidências, não pelo confronto de forças, pois perderiam, mas através da persuasão discreta, para obterem algumas vantagens, que antes eram impossíveis.
Não sei precisar em qual momento da evolução isso aconteceu.
Suponho que aconteceu a partir do momento da união dos grupos em sociedades estruturadas.
A religião sempre esteve presente nos grupos, para explicar os fenômenos da natureza, a quem atribuíam como deuses; para justificar suas consequências e para sugerir como agradar aos deuses, para que tivessem, por exemplo, boa colheita.
Talvez a semente da contestação ao mais forte tenha surgido com a religião.
Depois, com a formação de sociedade a religião se estruturou como uma forma paralela de poder, para ela exercer suas vontades, mas sem se opor diretamente ao mais forte.
Havia uma simbiose conveniente. 
Enquanto o mais forte dominava pela força bruta a religião impunha  a submissão ao povo através de uma força invisível, conhecida desde o inicio da humanidade, que foi se transformando, mas sem nunca deixar de ser deuses.
Para angariar adeptos, oferecia clemenciaem nome dos deuses, para os "fracos" e, quando convinha a ambos, aos mais fortes.  
O problema dos mais fortes foi a hereditariedade.
Nem todos os herdeiros tinham a mesma determinação do originário.
Por outro lado, como aumentou muito o numero de "fracos", acabou surgindo lideranças entre eles, que tinham acesso aos mais fortes e aos religiosos.
Com isso, alguns herdeiros perderam o poder, que foi tomado por um mais forte entre os "fracos", sem o uso da força bruta, mas com o uso das palavras.
Quando o faziam com uso da força  eram o que chamamos de ditadores.
Os "fracos" mais habilidosos, quando não estavam no poder, criaram o que chamamos de opinião publica.
A opinião publica era uma terceira força de poder, que, dependendo do mais forte, tinha maior ou menor capacidade de oposição.
Só não conseguiam se opor à religião, pois essa era inflexível, através de seus dogmas rígidos.
Ao longo do tempo, os "fracos" perceberam que o coitadismo sensibilizava os mais fortes e a própria religião, como a conhecemos hoje.
Aquele que demonstrasse  ser mais fraco do que era, obtinha concessões que o "normal" não conseguia.
Porque elaborei toda essa teoria?
Para explicar o que vemos na politica.
Quando a direita, através da ditadura militar, estava no poder, a esquerda radical, que se rebelou e, através das armas, tentou, sem sucesso, derrubar a ditadura, com o retorno à democracia, mesmo tendo os dois lados sido anistiados, se postou como coitadinha.
Com governos de esquerda sendo eleitos, sentiram mais fortes e, no exercício dessa força, fizeram com que os coitadinhos radicais deles recebessem indenizações desses governos.
Na sequencia entrou no poder uma direita mais radical, que acabou não conseguindo se manter no poder.
Com isso, a esquerda voltou de novo ao poder.
A direita radical também tentou impedir o governo eleito, através de um golpe de estado mal sucedido e seus componentes acabaram presos.
Como de sempre, o coitadismo ressurgiu.
Clamaram pela anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Conseguiram uma revisão da dosimetria das penas, que a esquerda, agora, não mais no papel de vitima, não aceita.
O líder dessa intentona, Jair Bolsonaro, também apelou ao coitadismo.
Mesmo com os efeitos, que lhe prejudicaram a saúde, apos a facada, que foi acometido, enquanto era presidente, exibia sua força masculina.
Bastou ser preso, mudou a postura e, agora, exibi-se como vitima da crueldade  do seu julgador. 
Vivemos um mundo de coitadismo.




2 comentários:

  1. Eu sou uma pessoa justa e defendo o que acredito, independente de ideologia. Votei e fiz campanha pra Bolsonaro em 2018. Hoje, comparo com Lula (detesto ambos) e vejo como Bolsonaro fraco, frouxo. Lula ficou preso na PF, mostrou fidelidade a quem ficou ao seu lado neste período e nunca mencionou fugir. Atualmente está até Atlético, faz algum exercício físico, mostra muito mais saúde que o milico Bolsonaro. No fim, Bolsonaro é só um covarde seguido por pessoas pouco instruídas...

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  2. Vivemos num mundo do coitadismo, de fato. O coitado é a vítima daquelas coisas que ele sonhou mas não conquistou. Geralmente são patamares de melhora patrimonial ou social, tipo reconhecimento ou aceitação social. O preço do progresso pessoal, familiar, social é o trabalho bem feito. Vivi muitos anos no Rio de Janeiro e pude ver a transformação daqueles subúrbios enormes, construídos sobre o brejo e a lama transformados em grandes cidades. Onde havia cobertas de tábua e latão há hoje casas de alvenaria com telhado e terraço sobre a laje para as festas familiares. Se esses primeiros migrantes pensassem como coitadinhas hoje seus netos e bisnetos não teriam se mudado para bairros melhores e alguns não seriam funcionários publicos ou concursados, ou mesmo independentes. Se parte da terceira ou quarta geração se perdeu é porque suas expectativas foram além de duas capacidades e são inferiores às qualidades de seus bisavós e avós que mesmo sem cultura tiveram a honra de participar na construção de um país desde a base, trabalhando com honra e não com desonestidade. Trabalhando duro sem invejar os demais, que é a enfermidade permanente do coitadinho.

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